Dona Ruth Junqueira Leite e a Escolinha das Acácias

Eram os idos 1967, meu pai Manoel Netto Leite, médico, acabara de construir nossa sonhada casa, na Rua das Acácias, atrás do Meninópolis e do Beatíssima, com dificuldade, pois era funcionário público, ou melhor, chefe do posto de puericultura do Brooklin e médico do antigo SAMDU, além de ter seu consultório particular em cima da auto escola feiticinho, do Arnaldinho, na Rua Matias Cardoso. Como se vê, funcionário público já ganhava pouco desde aquela época.

Minha mãe, Ruth, para ajudar nas despesas, já que seus 4 filhos iam de manhã para o Beatíssima ou para o Meninópolis, resolveu trabalhar, pela manhã, como professora da Escola Patinho Feio, ao lado da Kibom, do Sr. Plínio, mas como havia sido normalista interna da Escola São Domingos de Poços de Caldas, diziam que o seu diploma não valia aqui em SP e portanto ganhava menos do que as outras professoras.

Lembro-me muito bem, ela, baixinha chegando a pé cansada carregando nos braços os cadernos encapados da molecada para corrigir e eu e o Nenê (Carlos Roberto), já no colegial e no ginasial respectivamente, ajudando-a nesta tarefa, era até divertido.

Após 2 anos nesta labuta e morando na parte de cima do sobradão, pois tínhamos poucos móveis na parte de baixo, minha mãe com o incentivo de seu irmão, meu tio Bié, Gabriel Azevedo Junqueira, grande médico e uma pessoa carismática, com consultório em cima da Padaria Danúbio Azul, comprou os móveis de uma escolinha que estava fechando e no ano de 1969 começou a funcionar, na parte de baixo e no quintal, a Escolinha das Acácias na antiga rua das Acácias hoje Pássaros e Flores .

Meu pai conta que após comprar os brinquedos usados, precisava deixá-los como novos e então foi à Loja Marytintas, na Av. Morumbi, do seu Waldir, e este estranhou o doutor comprando tinta e pincel, e que ao saber do início da escola, com a confiança que tinha nele, pediu para reservar um lugar para sua filha Isabel, mal sabia ele que ela seria a primeira aluna a ser matriculada e ao chegar em casa e dizer que já tinha feito a primeira matricula, sem mesmo a escola ter sido aberta, todos se animaram.

Com o entusiasmo e o carinho de Tia Ruth e já começando a ser ajudada pelas minhas irmãs que estudavam no Beatíssima, Beatriz (Bia) e Eliana (Lili), a escolinha progrediu e precisou alugar as casas ao lado, onde então começou a funcionar o Berçário já sob o comando da Denise, psicóloga, casada com o Nenê que veio somar com a família e que com sua experiência e dedicação, preparava os bebês para o ingresso na Escolinha.

Papai, após se aposentar, sempre habilidoso, passou a ser o chefe da manutenção da escolinha, era o pintor, carpinteiro encanador e nas férias de fim do ano, fazia a revisão geral em todos os brinquedos, era como se fosse o seu jardim de infância, e sempre teve orgulho de estar junto com sua esposa em todos os momentos da Escolinha.

A escolinha sempre cresceu, ficava cada ano mais bonita, o que se ganhava era praticamente investido na escola para conforto e prazer dos alunos, assim como tem professores de muitos anos, os aluninhos já são filhos e até netos de ex -alunos ou de amigos nossos na juventude e com que orgulho minha mãe nos conta quando eles dizem orgulhosos que deixam seus filhos aos cuidados da escolinha por que sabe que a tia Lili e todas as professoras tem a mesmo amor que ela.

Dna. Ruth e Dr. Manoel são pessoas “carimbadas” no bairro, pois por onde andam tem sempre alguém que os cumprimenta, ou foram clientes dele ou freqüentaram a escolinha dela, ou foram amigos dos seus filhos e esse carinho para com eles é que faz com que eles tenham orgulho de sempre terem morado no Broolkin .

Hoje após 37 anos Dna. Ruth apesar de não ser presença constante da rotina da escola está sempre atenta a tudo que lá ocorre, pois após a saída da Tia Bia, que acompanhou seu marido Álvaro Correia Pinto para viver em Arujazinho, hoje tia Lili tomou as rédeas da Escolinha e junto com a Denise no Berçário são um time unido que tornam verdadeiro o lema:

Escolinha das Acácias: uma escola com amor & um amor de escola.