Do Largo São Francisco para o mundo

Da gloriosa Faculdade de Direito do Largo São Francisco de onde se preparou para advogar causas que dignificaram a diplomacia brasileira até o ponto mais alto da realização pessoal como Ministro das Relações Exteriores, o retrato de um homem brasileiro têm no seu amor a pátria o elemento mais forte do seu caráter.
Um rol de questões e problemas mal resolvidos dominavam o cenário diplomático brasileiro com relação às fronteiras com quase todos os paises da América do Sul no fim do 2º Império e começo da República. Os mais graves eram com a Argentina, Guiana Francesa, e Bolívia. Os impasses eram antigos e careciam de sólidos conhecimentos da geodésica, matemática, geográfia, história, e de antigos mapas cartográficos para porem fim às questões já corroídas pelo tempo. Os antigos tratados só serviam às traças. O Imperador e depois os Presidentes procuravam um homem que fosse jurídico, político, e conhecesse o Direito Internacional para as cortes de arbitramento onde os laudos conclusivos eram fornecidos.
A vivência européia era imprescindível. Foi em Liperpool na pessoa do próprio Cônsul o procurado foi encontrado. Feito o convite, o aceite foi imediato. Colocado a par das questões e sublinhadas as prioridades, o Cônsul, advogado de formação, professor, jornalista, e ex-deputado, colocou-se ao trabalho incansável através de noites em claro e dias intermináveis de estudos e pesquisas para formar ao cabo de 3 anos pilhas de laudas de argumentos e exposições de fatos que formaram matéria de defesa na questão de Palmas, porção de terra que a Argentina reivindicava junto ao estado de Santa Catarina e Paraná.
Por fim, na qualidade de árbitro da questão o Presidente Cleveland dos Estados Unidos da América do Norte foi favorável ao Brasil. Era a primeira vitória.
O Segundo caso, o da Guiana francesa era de difícil entendimento dada a cobiça dos franceses pela bácia amazônica e ameaçavam ocupar militarmente o Amapá. O Plenipotenciário brasileiro não recuou, e afirmou categórico que o Brasil responderia com altivez qualquer tentativa de invasão. Levada a questão ao arbitramento em Berna, um calhamaço de papéis formando um roteiro de argumentos de fatos irrefutáveis, mais uma vez o laudo conclusivo foi favorável ao Brasil. Estava vencida a segunda batalha.
Agora o caso da Bolívia, espinhoso e complicado dado o contrato que os bolivianos fizeram com um consórcio anglo-americano sobre a extração de borracha do Acre. Para tanto a milícia boliviana estava matando e escorraçando os brasileiros que cultivavam e ocupavam os seringais. Diante da intransigência boliviana em discutir pacificamente a situação, o Brasil mobilizou tropas para a defesa dos seus filhos. Grave ficou o momento, e gestões diplomáticas lograram levar os bolivianos à mesa de negociação, resultando num consenso da qual o Brasil compensaria financeiramente a Bolívia e esta cederia o Acre ao Brasil. O Tratado foi assinado e reconhecido pela comunidade internacional.
O Cônsul brasileiro em Liverpool, o Plenipotenciário nas 3 questões, e por fim como Ministro das Relações Exteriores, têm como referência o sucesso na carreira diplomática, a fama na vida pessoal, e a renúncia a vida familiar e aos prazeres da vida mundana para se entregar totalmente por anos seguidos em defesa dos direitos da pátria.
José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco como é conhecido pelos brasileiros e por todo o mundo.