Naquela manhã tudo indicava um novo dia com o raiar do Sol. Cada nosso despertar traz um novo impulso ao caminho que desejamos seguir. Nossa rotina nos leva a fazer o que é preciso, todos nós temos o que fazer em nossas vidas, trilhando os passos planejados.
Dificilmente imaginamos e esperamos algo triste e ruim, exceto quando alguns de nossos amigos estão doentes e cuja espera já cabe prevenção. Mas e as mortes trágicas, inesperadas, um mal súbito, um enfarte… Que tira de circulação nossos amigos, sem sequer uma breve despedida?
Imediatamente vem a nossa lembrança, os momentos vividos em conjunto e também nossa mente recorda as coisas que adiamos por fazer, coisas boas, um passeio, outros, etc…pois quase nunca se espera um acontecimento assim.
Muitos de nós vivemos de certa maneira preparados, pois se tem a realidade da vida, basta um leve sopro para apagar de vez a nossa respiração.
São os dias de desolação. Ficamos tristes, inconformados, chorosos, embora se saiba que é o fim de todos nós, esse dia chegará, por mais que se demore, quanto mais tempo durar melhor.
Refiro-me a este sombrio assunto, pois por vezes ficamos sabendo que um amigo nosso morreu de repente. O que podemos fazer? Nada a princípio.
– “Chegou seu dia! Que Deus o tenha. Pai Nosso e Ave Maria…para o defunto”.
A vida dedicada que cada pessoa vive na face da terra, a meu ver, deve ser vivido a cada momento, desfrutando o prazer de estar vivo, mesmo que às vezes nossa vida seja acometida de fortes tempestades.
Lembramos que a planta quanto mais ventania absorve mais as suas raízes se fincam no solo e enrijecidas, se tornam mais fortes. Não devemos temer as tempestades, pois, elas nos fazem bem, mesmo que doa.
Lembramos dos acidentes graves, os trágicos como aqueles da aviação, sempre haverá um motivo a ser descoberto, após abertura da famosa 'caixa preta'. Um terror, convenhamos se alguém, conhecido nossa, faz parte dessa lista. Nem me refiro ao pânico de saber se estão ou não no avião. Há aqueles que escapam por um triz, não era chegada a sua hora.
Dias desolados, quer dizer que devemos sempre estar preparados para o que der e vier. Consolará sabermos que a vida não acaba, nosso espírito continuará vivo, para toda a eternidade. Isso independe da nossa crença, nosso espírito não morrerá jamais.
Viver bons sentimentos com todos e fazer todo o bem que você aqui puder terá uma recompensa. Muitas vezes não imaginamos que um bem feito a uma pessoa que não tem nossa maior simpatia tem um valor grandioso. Pode acontecer que tal pessoa, auxiliada em qualquer circunstância, seja a primeira a nos receber em outra dimensão, caso vá antes de nós.
São exemplos que a gente fica sabendo que faz valer a pena viver nossa vida, fazendo qualquer bem que seja, mesmo aqueles indesejáveis, ou não indicados para nós como varrer o chão, nossa calçada ou a nossa varanda. Assim também dias desolados faz lembrar-se da importância de se ter cuidado com nossas plantas que vivem ao nosso redor, em nosso jardim. Assim parece ser o Paraíso que todos almejamos um dia alcançar.
Dias desolados pedem força para quem têm desafios como este o da despedida recente de que quer se lembrar. A minha foi de um concunhado de 54 anos morto aí em São Paulo, no dia primeiro de setembro, o Valdir após sofrer um enfarte.
Sendo nós a vítima, compreendamos também aqueles que terão que enfrentar esses dias, sem tempo adequado para uma boa e salutar despedida.
A morte, vamos aprender, é a coisa mais natural. Aceitamos. É difícil. É, mas há aqueles que pensam que é uma oportunidade para se entrar na Glória.
Amém.
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