Nesta fria e chuvosa manhã paulistana, pelos lados de Santo Amaro, Brooklin, ainda em minha cama deitado, olhando os ponteiros do relógio, que inexoravelmente segue em sua caminhada infinita… Aguardo mais uns instantes para levantar, e aproveitando ainda os aconchegantes cobertores que me aquecem, coloco as mãos sob a cabeça e os olhos fecho, como se sonhando acordado estivesse.<br> <br>Nesses pequenos átimos de tempo, minha mente retroage ao longínquo passado de minha infância que há muito se fora e vejo-me correndo pelas outroras e vastas várzeas que margeiam o rio da terra onde nasci e na fazenda em que vivi. <br><br>Vejo a natureza exuberante das matas ao longe e ouço os cantos dos pássaros canoros que livremente voavam como que saudando o alvorecer; os animais de criação e o mugir das vacas aguardando a ordenha e os colonos com suas enxadas aos ombros, dirigindo se à colônia, como era chamada a região dos cafezais. O que fez lembrar-me da canção:<br> <br>Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal Ai menina, meu amor, minha flor do cafezal Ai menina, meu amor, branca flor do cafezal…<br> <br>Ao meu lado, latindo alegremente o meu dileto cachorro de pelugem negra, Rex, pois parecia um rei dado a sua imponência ao andar me acompanhado como um leal amigo. Olhando para os lados e farejando qualquer lugar suspeito como se querendo me proteger de inimigos imaginários ou não.<br> <br>Volto à realidade, já totalmente desperto mais ainda pensativo, como que filosofando, penso: Como o tempo passou, hoje, já entrando na faixa dos veteranos, sinto a saudades dos tempos idos. Vejo meus netinhos crescendo e o mais velho com dez anos, já deixando a idade infantil e com sonhos incipientes de querer ser igual ao vovô. Minha alma triste fica, pois minha autocrítica não me permite imaginar como modelo e exemplo para ninguém e muito menos para meus queridos e amados netinhos.<br> <br>A chuva passou, o dia se esvai, acabo de ver os últimos raios do sol no poente. À noite já se aproximando e o friozinho ainda persistindo neste início de primavera. Ouço da sala onde escrevo os ruídos canoros dos periquitos que em uma grande gaiola, meus netinhos aqui deixaram para cuidarmos. <br><br>Na sala de estar, a netinha Karina com os seus quatro anos, brincando sei "lá do quê", mas seus risos em alto tom indicam que feliz está com sua avó observando-a com zelo que só a mãe da mãe da mesma tem.<br> <br>Vem à noite, cerram-se as cortinas, luzes acesas, periquitos tranquilos, toalha de mesa sendo posta aguardando o jantar frugal e a suave música pelos ares se expandindo dando um tom de amenidade…<br> <br>Mais um belo dia se foi…<br><br>E-mail do autor: [email protected]