Destinos urbanos

Para a cidade de São Paulo, minha segunda casa de onde sou parte.

A cidade sabe o que você sente.
A mulher, o homem são
homicidas,
que agonizam amorosamente
e mutilam-se em seus destinos
anônimos.
Parecem um.
Todos.
Anônimos mesmo com nomes.
Comuns,
como jogar as roupas do viaduto,
beijar a morte no leito do pai,
cortar-se, em punhos, em X
como vida, em incógnita.
Se gestos, cartas de amor, vozes, cidades, histórias, amores são perdidos Como ganhar movimento?
Nas luzes também parece existir escuridão, sombras vivas que acompanham os passos de um, de todos.
Como uma parte de São Paulo
pode ser o todo?
Metonimicamente,
Em cartas de tarô, cristais clarividentes, i-chings, constelações,
Como se pode revelar futuros, sortes, horizontes?
Como criar o mesmo trânsito astrológico de almas que querem viver, mesmo perdidas?
Como ter signo nesta cidade, e quiçá ascendente?
Será que sou estrela e posso escutar a minha própria voz?
Nesta selva de pedra, posso ser o que agora sou.
Soul.
Múltiplo, polissilábico, megalomaníaco,
Multifacetado, polissacarídeo, megalegórico.
Aqui.
Sim, aqui existe um hiato;
Uma pausa non-stop, um veloz slow-motion, Um perde-ganha, zás-trás de quem sente.
Numa cidade cheia de gente,
em meio aos grafites, o frio humanoclimático, os romances perdidos, o róseo sol, a lua refletida nos pavimentos e nos bondes, essa gente sou eu.
Interligado.
A todos os outros,
Signos iguais a mim.

E-mail: [email protected]