Como já disse em outras ocasiões, eu fiquei órfã de pai aos dois anos e meio de idade e nossa vida não foi nada fácil! Apesar de acreditar que não devia ser fácil para ninguém, ou quase.
Os nossos presentinhos de natal eram muito simples, mas muito queridos também! A mamãe aproveitava o 13º salário e comprava roupas para nós na Rubens Magazine, uma boa loja existente no bairro da Penha. As roupas não eram baratas, mas eram de ótima qualidade e deveriam durar muito, pois teriam de ser usadas durante o ano todo. Lembro-me bem do natal em que ganhamos – minha irmã e eu – uma saia plissada de tergal xadrez avermelhado (que eu adorei) e um conjunto de blusinha e casaquinho (hoje chamamos de twin-set) de ban-lon vermelho. Era roupa infantil, apesar de parecer de adulto. Ela dava uma entrada e pagava as prestações durante o ano.
Sempre, além da roupa, ela dava um jeitinho de comprar algum brinquedinho… Lembro-me bem de quanto ficávamos felizes por ganhar um joguinho de bulinho de chá, com pequenas xícaras e pires. Se eu ganhei o de chá, a minha irmã ganhou o de café e a minha prima os pratinhos… Era assim que era feito: ela coordenava tudo para que pudéssemos ampliar nossas brincadeiras! Uma outra vez, ganhei um joguinho de móveis de plástico azul e branco – móveis de cozinha – e pelo que me recordo eram muito bem feitinhos; a minha irmã ganhou a sala e a minha prima, o dormitório.
A nós não importava o valor do presente, o quanto teria custado ou se os nossos amiguinhos da rua teriam ganho brinquedos melhores… Não víamos a hora de nos deixarem ir à rua cumprimentar e mostrar nossos presentes aos amigos…
Que saudade que eu tenho daquela época! Até hoje, aos cinquenta e seis anos de idade, o Natal é uma passagem muito marcante em minha vida! Espero por ele o ano inteiro! Adoro o Natal, com todo seu significado e com toda sua magia…
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