Naquele dezembro estávamos muito felizes porque iria ser "inaugurada" uma nova árvore de natal (natural), grande, verdinha e o papai tinha colocado, em torno da lata que abrigava a árvore, papel laminado vermelho. Gente, estava demais e nós estávamos ansiosos para enfeitar a dita árvore.
Enfeites novos, o algodão imitando neve (nem sei para quê), afinal, vivemos em um país tropical, mas enfim, era comum a neve na árvore. O presépio grande, com vaquinhas, camponeses, a família sagrada, os reis magos e um lago que meu pai colocava um espelhinho e em volta areia. Era lindo mesmo. Nesse ano, o meu pai havia comprado nossa primeira televisão, com tubo e palhinha na antena interna, porque lá fora também tinha antena, que com o tempo mudava de rumo e era um sufoco arrumar.
Finalmente, tudo ficou pronto e as crianças encantadas com tanta coisa bonita junto. Na televisão, passava o Circo do Arrelia e minha irmã encostou em uma parede para apreciar aquele momento tão especial, quando de repente alguém a chamou e ela bateu o nariz com tudo na dita parede. Chorou muito de dor e meus pais a levaram para o pronto socorro da cidade, porque a dor era muita. Para diminuir a dor, minha mãe colocou um esparadrapo puxando o nariz da minha irmã para o lado oposto da dor, só um paliativo.
Imagine 24 de dezembro, por volta das 20h, e lá chegando o médico. Estava dormindo o sono dos anjos, no mínimo tinha tomado todas e ele, sonolento, perguntou à minha mãe o que significava aquele esparadrapo no nariz dela e em um átimo e em um pulo o médico disse: Nossa, sua ideia é genial! Continue então com esse seu engenho e espere a dor passar. Aí meu pai falou: Como doutor, a menina vai ficar com isso? Estamos no Natal! E se piorar a dor?
– O médico então falou para meus pais: Fácil de resolver, pinte o esparadrapo de vermelho e ela não ficará fora do espírito natalino.
Gente, foi terrível aquele natal para minha irmã, que ficou com o negócio no nariz durante todas as festas.