Tempo de carnaval e o bairro da Penha se preparava para receber os blocos carnavalescos, local e das redondezas.<br><br>A Rua da Penha, como principal do bairro, estava interditada e foi lá onde tudo aconteceu.<br><br>Enquanto as pessoas ocupavam seus lugares, os confetes coloridos e serpentinas já se faziam presentes ao meio dos transeuntes, que alegres esperavam o bloco passar, aliás, os blocos, porque a noite prometia ser longa.<br><br>Surge então, ao meio da multidão, mais uma família para prestigiar e engrossar o carnaval do querido bairro: o Eliseu, a Bernadete e suas duas lindas princesas, que apesar de pequenas já entendiam o que era samba no pé. <br><br>As duas meninas, ao verem aquele espaço livre, quase sem fim, correm empolgadas para o meio da rua e começam a se movimentar de um lado para o outro.<br><br>O balançar das saias, os colares de flores no pescoço, confetes que voavam pelo ar e os pesinhos, batendo no chão ao compasso do samba que de longe se ouvia, mudaram o cenário do ambiente. <br><br>No mesmo instante, como uma fênix, uma figura do bairro que havia tomado todas, e a cachaça se transformara em estado de euforia cerebral, entra em cena.<br><br>Nesta pseuda emoção que o domina, ele toma a postura do organizador carnavalesco, colocando em ordem o mágico momento de sua imaginação.<br><br>Primeiro, apita para os transeuntes pedindo passagem, esvaziando o meio da rua. Depois, altivo e alucinado como se estivesse vendo o grande bloco se aproximar mais atrás da comissão de frente formada pelas duas meninas, que rodopiavam alegres pela rua, levanta os braços e, com os movimentos fortes, acena com a mão, emitindo a ordem para que elas prosseguissem, abrindo assim o desfile imaginário da noite.<br><br>As duas pequenas, já bem animadas com a situação, se enchem de graça e continuam dando o show, sem saber o que estava acontecendo.<br><br>O cenário para quem estava olhando foi divertido e até alegrou os que estavam à espera do desfile principal e verdadeiro.<br><br>Era nítido o quanto esta figura encontrava-se eufórica pela cachaça, a sensação era de felicidade e poder ao mesmo tempo, mas mal sabia o pobre homem que tudo isso teria o tempo contado e logo a frustração novamente o abateria.<br><br>Acho que foi a comissão de frente mais bonita que o pobre bêbado comandou e certamente foi o organizador mais aplaudido do bloco, que só existiu mesmo no mundo de suas ilusões.<br><br>e-mail da autora: [email protected]