Ao início dos turbulentos anos 60, contava eu com 20 anos, recém formado no Ginásio Estadual José Marques da Cruz da Vila Formosa; comecei a tomar gosto pela política, impulsionado pelo professor de história Iru Brasil.
Era auxiliar de escritório, com trabalhos externos na parte da tarde e, quando o tempo permitia, gostava de assistir os debates na Velha Câmara Municipal de São Paulo, um prédio de arquitetura colonial situado na Rua Líbero Badaró, quase esquina com a Praça do Patriarca, denominado Palacete Conde Prates, ao lado do imponente e moderno edifício Palacete Prates, de arquitetura moderna para a época.
Era vidrado nos debates travados naquela edilidade, onde havia um balcão tosco, em que a "platéia" em silêncio, acompanhava os discursos de "suas excelências" os senhores vereadores.
Travava-se ali verdadeiras batalhas ideológicas, desde vereadores ultra direitistas, como o veterano Marcos Mélega da poderosoa UDN, até esquerdistas radicais como David Lerer então médico do sindicato dos metalúrgicos, pelo socialista PSB.
Eram debates apaixonados, amparados por correntes filosóficas, das mais variadas. Certa tarde daquelas, na Tribuna o velho vereador e jornalista Ary Silva, que tinha sido líder do prefeito Prestes Maia, criticava o recém eleito prefeito Faria Lima, por algumas medidas de início de mandato, ato contínuo, o jovem e combativo líder do Prefeito Faria Lima, Gióia JR. não deixou por menos e desafiou após lhe ser concedido o aparte "V. Excelência, não quer que o jovem prefeito atual (Faria Lima) seja o protótipo do velho prefeito anterior (Prestes Maia). Por isso cada qual na sua época".
Este relato nos relembra, uma época pueril onde se debates de idéias e convicções políticas, estavam acima de interesses pessoais.
E eu ali no balcão… Como um garoto apaixonado, pela mais nova conquista… A política…
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