Caminhando pelo Páteo do Colégio naquele domingo pela manhã, encontramos uma imensa montagem de gravação para um comercial que foi veiculado durante a última Copa do Mundo de Futebol, na Rua Floriano Peixoto.
Paramos um pouco, para apreciar o movimento das câmaras, cenógrafos e dirigentes que organizavam as filmagens, no meio de inúmeros figurantes vestidos com a roupa da seleção canarinho, munidos de cornetas, matracas, apitos e outros objetos de sons.
Assim, após o sinal do diretor, todos começavam a pular, a correr, gritando gol, jogando papéis prateados pelo ar e emitindo os mais diversos sons com os seus instrumentos.
Houve diversas repetições, para que pudessem treinar e testar a regulagem da iluminação e do som até que atingissem a perfeição para a filmagem final.
Alguns pedestres que iam em direção às exposições do Centro Cultural da Caixa Econômica na Sé, como alguns moradores de rua da região, também pararam ali, para apreciar a novidade.
Foi o caso do Oswaldo Ferreira Matos dos Santos – pois fez questão de dar seu nome completo – vestido de pregadores com as cores da seleção brasileira e dos seus adversários na copa, e que muito falante tentava inutilmente, apesar da sua simpatia, convencer o pessoal a permitir que ele aparecesse no centro da filmagem, visto achar que suas roupas eram mais criativas que a dos figurantes, no que ele não deixava de ter razão!
E continuava: todos me acham parecido com o “Bil Lad”, mas eu num sô, o Bil Lad é do mal, eu sô o Bil Lad do bem, num faço guerra não”…
Foi num desses momentos que ali chegou um outro morador de rua, trançando as pernas enquanto andava, falando com a voz pastosa, de quem havia tomado tudo o que pode, às 10 da manhã, chamando a atenção de todos enquanto observava cambaleando o grupo e, ao grito do goooolllll, ele se pos a gritar gooooooollllll e a festejar feliz, junto com a torcida da filmagem.
Quando o silêncio retornou, ele perguntou para o segurança:
– Quanto está o jogo? Que simpaticamente respondeu:
– Quatro a zero.
Feliz com a resposta de 4X0 para o Brasil, saiu dali vibrando e comemorando…
Contornando a quadra, encontramos a Marquesa de Santos – D. Domitila de Castro Canto e Melo – caminhando de um lado para o outro em frente ao seu solar, quiçá, esperando ansiosamente a chegada de D Pedro!
Depois de trocarmos cumprimentos, a Marquesa de Santos – Ana Morais – jovem, bonita, sorridente e de feições delicadas nos contou que há dois anos faz parte do projeto criado pela Circuitour, que pretende levar dinamização à história, para atrair as pessoas para o Centro Cultural de São Paulo, onde podem interagir com as personagens históricas como o Padre Anchieta, logo ali no Páteo do Colégio, onde também encontramos jesuítas fazendo barba dos moradores de rua, a Marquesa de Santos e o Maestro Carlos Gomes – o Gabriel – que se juntou a nós, antes de ir divulgar a sua música no Teatro Municipal…
Nesse momento a chegada de um grupo de turistas fez a Marquesa pedir licença para recebê-los:
Apresentando-se, a nobre senhora começou a contar-lhes a sua vida, a sua paixão pelo Imperador, sua mudança para o Solar, sua vida até a sua morte, quando foi levada para a tumba da Consolação onde permanecerá para sempre!
Depois que partiram, retomamos nossa conversa, mas, dessa vez foi a minha vez de falar, quando lhe contei que ela iria protagonizar esta minha história, pois sempre registro histórias e relatos desta paulicéia que não pára de nos surpreender, assim, as pessoas poderiam ir visitá-la em seu Solar, sempre aos domingos pela manhã, para ouvi-la falar de sua história, de seus amores e de sua saudade.
À seguir, chegou a hora de partirmos, por isso ela nos acompanhou até a porta do seu solar onde se despediu brejeira e sorridente, como permaneceu para sempre, na foto que tirei ao seu lado.
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