Hoje a era é a dos grandes hipermercados, caixas eletrônicos, códigos de barra.
Antigamente não era assim não. No bairro do Cangaíba onde eu morava, havia dois mercados que abasteciam os lares: o Supermercado Skaff e o Supermercado Malena, na estrada do Cangaíba. Minha mãe fazia suas compras no supermercado Malena, pois os preços eram mais em conta. Como não tínhamos carro, a compra era encomendada: minha mãe ia pela manhã e eles entregavam à tarde.
Agora, tentem imaginar a compra de antigamente comparada com a dos dias de hoje. Grãos e farináceos estavam dispostos em grandes caixotes, soltos, e você comprava quantos quilos precisava (meio, um, dois). Eram embalados em sacos pardos e lacrados com fita adesiva. Assim você comprava o arroz, o feijão, a farinha de trigo, milho. Tinha também sabão em pó, já embalado pela indústria e sabão em pó solto.
Mas a curiosidade maior não está aí. A nota fiscal das compras era preenchida a mão, em três vias, conferida no ato da compra e no ato da entrega em casa, item por item, e o comprador assinava o recebimento. Já pensou este procedimento nos dias de hoje? Pessoas que tem família grande, que saem do supermercado com dois/três carrinhos lotados? Ia faltar funcionário para esta tarefa…
Já o café minha mãe comprava na feira livre. Tinha um veículo, da própria torrefação, que trazia os grãos, moía na hora e também era vendido a critério do freguês: meio quilo, um, dois. Embalados em sacos de papel com a marca do café e lacrados também com fita adesiva. Não sei não, mas minha memória olfativa diz que aquele café era mais gostoso do que estes vendidos hoje em almofadas – tinha mais aroma!
Bebidas como refrigerante, cerveja e malzibier minha mãe comprava num depósito da Antártica que tinha na Avenida Gabriela Mistral, na Penha. O sistema era o mesmo: ela encomendava de manhã e à tarde eles entregavam. Chegavam com as caixas, conferiam o pedido e trocavam as cheias pelas vazias. Assim, não ficávamos na mão se alguma visita aparecesse de surpresa, pois os mercados não abriam aos domingos e os bares fechavam ao meio-dia e não havia nenhuma padaria perto de casa.
Mesmo comprando várias dúzias, não tomávamos refrigerante todo dia. Era só de domingo e quando tinha visita. Durante a semana, só K Suco… Tempo bão, não volta mais. Saudade…
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