Comentário digno de ser lido

Como o SPMC é fenomenal! Duvido que, por mais otimistas que fossem, seus criadores esperavam que ele adquirisse tanta importância. E a cada dia que passa ele se valoriza mais. A última surpresa, para mim, aconteceu recentemente e vou procurar dividi-la com todos.

Comecei escrevendo no site timidamente, sem ter certeza de que minha matéria seria aprovada, e para minha surpresa recebi vários comentários elogiosos de amigos, entre os quais alguns muito amáveis, que me incentivavam a continuar escrevendo. Isso aconteceu em maio de 2008.

De lá para cá muita coisa boa aconteceu. O site teve um crescimento digno da cidade que ele homenageia e a tendência é crescer cada vez mais.

Depois de escrever dezessete histórias achei que pouca coisa poderia ser acrescentada em seus comentários, principalmente nas histórias mais antigas, e eis que para minha surpresa na primeira história que escrevi, cujo titulo é "O Restaurante Giratório", um dos filhos do proprietário do restaurante citado na matéria, Sr. Roberval R. Barioni, faz um comentário que chega a ser um depoimento histórico que enriquece ainda mais este que é um livro biográfico da maior cidade do Brasil.

Esperando que a ideia seja aprovada por aqueles que fazem a filtragem das matérias aqui escritas, anexo na integra o comentário feito pelo nosso ilustre comentarista para melhor divulgação.
Obrigado e um abração a todos.

Comentário do Sr. Roberval R. Barioni:

Amigo João e demais amigos. Fiquei emocionado com estas histórias, pois o Restaurante Giratório era de meu pai, o Sr. Ezio Barioni (mesmo nome do meu irmão). Na família de meu pai, todos eram meio "loucos e sonhadores".

Um tio (Nino) inventou o primeiro nível para medir desnível! Tio Baby inventou os Jogos Abertos do Interior – hám uma praça de esportes na Água Branca em São Paulo e uma rua em São Bernardo do Campo, batizados com o nome dele.

Meu pai mesmo inventou (e construiu) todas as máquinas de uma empresa chamada Decalcometal (não existe mais), que produzia decalcomanias (hoje também não existem mais, mas era a forma de colocar etiquetas em roupas). Aprimorou também os processos para a fabricação das mesmas.

E finalmente o tio Mário (irmão do Nino), que inventou o Restaurante Giratório. Houve outros 4 além do primeiro, que foi mesmo na rua Amador Bueno (hoje com outro nome). Dois no Rio de Janeiro, um em Santos e um em Portugal. Aliás, era uma sociedade e foi para construir o do Rio de Janeiro que meu pai "comprou" o de São Paulo, ficando como único dono.

Tenho histórias memoráveis do Giratório. Lá foi usado o primeiro interfone, meu pai trouxe da Itália para o Brasil. Também foi usada a primeira máquina de secar as mãos usando ar aquecido. Meu pai inventou várias máquinas para aumentar a produtividade do restaurante. Um descascador de batatas que descascava 10 kg, em uma hora. Uma máquina de lavar pratos. Um processo mais eficiente de fabricar as massas… Eu estudava no Colégio Paes Leme, na esquina da Augusta com a Paulista e ia quase todos os dias para o Giratório. Pegava o ônibus elétrico, descia na praça da biblioteca e atravessava a pé as galerias da 24 de Maio, da Barão, me maravilhando com as coisas, principalmente brinquedos e bugigangas importadas, até chegar na Av. São João e no Largo Paissandu. Fazia minhas lições no escritório, com meu tio Breno (um sábio), que administrava o Giratório e adorava brincar na sala dos queijos. Tinha formas de parmesão legítimo que não acabavam mais…

Também gostava de ajudar os cozinheiros a ralar queijo (sempre sobrava um pouco pra comer). Outras vezes encontrava meu irmão e arrumávamos várias brincadeiras. Jantava lá, claro! Por volta das 19h ou 20h meu pai passava por lá vindo do seu atelier (era pintor e gravador) e me levava pra casa. Hoje com 60 anos ganhei meu presente com suas histórias… Obrigado!

Enviado em 23/8/2012 por Roberval R. Barioni – [email protected]

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