Colégio Salete, fim

Hoje, apenas hoje, fiquei sabendo do fechamento do Colégio Salete, em Santana, na Rua Salete. Estudei lá e às vezes passava na porta só para recordar. Parava a pé ou mesmo de carro, olhava para o portão e via os senhores Cosme e Fernando controlando a entrada da garotada. Entrava, caminhando aos passos largos da minha imaginação. Pedia uma fichinha para um refrigerante na lanchonete do Moacir e depois comprava um lápis colorido na papelaria do Seu Zé Veneziano.

Ia para a árvore gigantesca, uma figueira, eu acho, sentava olhando para a quadra de baixo. Ouvia o sinal, passeava, flutuando pelo prédio velho, com as fotos dos formandos na parede. Ia ao laboratório e à sala dos professores. Tudo isso em minutos. Ouvia os sons dos risos, dos gritos dos alunos. Via meus avós me esperando.

Agora, fechou. Demolição. O que posso fazer? Manter vivas as imagens e as pessoas, todos os alunos, os professores, os funcionários. Tudo muda, mas não vai mudar meu sentimento sobre esse marco na história de Santana. O Colégio Salete.

Obrigada. Do que sou hoje, devo uma parte a você, Salete. O Salete do Sr. Hélvio Bugano, da Da. Ilka, da Da. Salete, do professor Cavalheiro, do Maguila, do Ferreirinha, da Renata Pimenta, da troca de figurinhas no pátio, do hino nacional cantado na aula do professor Zanotti e na quadra de baixo, nas ocasiões especiais, das visitas ao Campo de Marte e ao Quartel do Exército-CPOR, na semana da criança.

Agradeço a proteção nos dias de sol e chuva e muito mais. A Rua Salete não será mais a mesma.Espero que o que lá se edifique receba os bons fluídos e o amor do querido colégio.
Muito Obrigada por tudo, Salte. Adeus.

Aluna: Ana Lucia de Oliveira. De 1966 a 1977.

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