Coelhos na Vila Nivi

Lendo uma história da Walquiria, antiga moradora de Vila Nivi, sobre ter coelho em casa, recordei de um fato da minha infância também sobre coelhos.

Quando eu tinha sete ou oito anos, nos idos de 1969, lá na Vila Nivi, meu pai cismou de ter criação de coelhinhos, nem sei o porquê, pois minha mãe era contra e meu pai apareceu, certo dia, com alguns coelhos, acho que ganhou ou quem sabe deve ter comprado na feira. Meu pai era assim, vez ou outra, aparecia, sem avisar ninguém, com bichinhos em casa.

Antes de ter os coelhos, certo dia, ele apareceu com um porco, depois vieram os coelhos, a criação de peixes, depois de pássaros e etc. no fundo do quintal.

Os bichos não vieram tudo de uma vez, pois quando o porco foi morto e comido, meu pai apareceu com os coelhos, quando se desfez dos coelhos, começou a fazer uma piscina em casa e eu, minhas irmãs e mãe pensávamos que iríamos curtir muito nas férias de verão, mas que nada! Não era piscina alguma, era sim um grande aquário para ele criar peixes carpa. Depois dos peixes, teve criação de pássaros em gaiolas, eram mais de 20! Além de cachorro que ele trazia da rua. Minha mãe não concordava, ralhava e fazia ele se desfazer de tudo. Era por isso que ele nunca avisava quando iria aparecer com algum bicho.

Mas, voltando aos coelhos, meu pai fez uma gaiola de tamanho mediano, com telado, para os três lindos coelhinhos.

Ficava na lateral da nossa casa, mas depois, em pouco tempo, os coelhos foram aumentando, duplicando…triplicando e a gaiola logo ficou pequena.

Meu pai teve que ocupar mais espaço do quintal, para fazer uma gaiola maior, mas em pouco tempo ficava pequena novamente. Meu pai insistia em ter coelhos e aumentava cada vez maios o espaço das gaiolas, fazendo os puxadinhos e minha mãe, tadinha, ralhava com ele constantemente, pois não os queria de forma alguma. A coelhada foi ocupando tanto espaço, mas tanto espaço, que minha mãe nem podia mais estender direito as roupas que lavava no tanque.

Depois, não sei o que ele fez com os coelhos, acho que os deu ou vendeu, pois um dia, chegando da escola primária, fiquei muito triste. Todos os coelhos estavam indo embora e eu insistia em querer ficar com um branquinho de olhos vermelhos, que costumava ficar no meu colo após chegar da escola. Era meu amiguinho.

Minha irmã, um ano e meio mais nova que eu, também tinha o coelho preferido dela e também queria ficar com um. Mas que nada! Não adiantou chorar, implorar, prometer que iríamos cuidar deles.

Nossa mãe nos colocou para dentro de casa, trancou a porta da cozinha e os coelhos foram levados embora. Minha mãe aliviada, meu pai entristecido e nós, as crianças, chorosas, inconformadas. Poxa, meu coelhinho, tão lindo, era branquinho feito uma fofa bola de algodão.