Lembrei de uma história futebolística. Eu devia ter 15 ou 16 anos e o Círculo Israelita, que ficava na Av. Angélica, estava montando um time de futebol de salão juvenil, para disputar o Campeonato Metropolitano de São Paulo.
Sabendo disso, fui com outros amigos da turma da Barão participar da panelinha e fui um dos escolhidos para integrar o time.
Antigamente, tinha o torneio início, antes do campeonato propriamente dito e lá fomos nós, um monte de jogadores que mal se conheciam e mal haviam treinado em conjunto. Chegando no Ginásio do Pacaembu, fiquei sabendo que o nosso primeiro adversário seria o imbatível Banespa, glorioso bi, tri ou pentacampeão de SP, o melhor time de futebol de salão do estado e provável campeão do ano também.
Como nosso time era novo e desconhecido, éramos alvo de gozação dos
outros times presentes e do próprio Banespa, então eu e o resto do time já entramos derrotados e prevendo uma sonora goleada, começamos o jogo rezando para que acabasse logo. Mas por alguma ajuda divina o jogo acabou zero a zero no primeiro tempo, e no segundo continuava tudo igual, indo para o seu final. Então, faltando alguns minutos para o jogo acabar, e por alguma outra ajuda divina, eu recebo uma bola em profundidade e no caminho para o gol, sinto que levei uma trombada e antes de ver as estrelas e desmaiar, no bom sentido, percebo que a bola havia entrado no gol e o juiz validado. No mesmo instante, levanto correndo e percebo que o caminhão que havia me atropelado tinha sido o goleiro, não resisti e corri para os abraços.
Não preciso dizer que o moral do time subiu, ganhamos outros jogos e fomos fazer a final do torneio contra o próprio Banespa, que entrou respeitando nosso time e num jogo difícil que terminou empatado, fomos para a decisão nos pênaltis. Eu deveria bater o ultimo pênalti, que decidia o torneio, mas devo ter pensado no momento… Eu já sou herói do dia, se eu perder este pênalti, as pessoas vão se lembrar deste pênalti perdido e não do gol heróico… Pedi para outro jogador bater o pênalti… Fizemos o gol e fomos campeões.
Eu conto esta história para meus filhos e amigos e ninguém acredita. Como saiu publicado no Jornal Gazeta Esportiva no dia seguinte, estou tentando achar o recorte para provar esta história. Também já entrei em contato com o Jornal, mas precisam da data exata para tentar procurar nos arquivos. Será que alguém presenciou este fato?
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