A cidade do Rio é a mais perfeita antítese de São Paulo? Natural a resposta afirmativa aflorar, ativada por sensos comuns bairristas ainda presos ao tempo em que São Paulo era a "locomotiva do Brasil" e o Rio a capital de nossa República. Vide a famigerada "rivalidade" entre as duas metrópoles.
Se analisarmos a questão de maneira mais racional, percebemos coincidências antes inimagináveis na perspectiva extremista, dual, que coloca uma delas como o "corpo" (belezas naturais) e outra como a "mente" (cultura).
Falo tudo isso porque tal processo passou-se comigo. Comecei a cultivar uma grande simpatia pelo bairro de Copacabana ao verificar alguns prédios residenciais da década de 1940 ou 1950, estilos de morar que tanto gosto. Passei a encarar a cidade não mais como um contraponto daquilo que era "meu", e passei a entendê-la como potencialmente compatível com a minha realidade.
Assim, afigura-se ridículo fingir que os problemas oriundos do gigantismo social ocorrem em apenas uma delas, alternadamente. Concluo serem as duas como irmãs que ainda brigam muito, competindo cada qual com seu atributo mais evidente, mas lá no fundo se completam, interpenetram-se em afinidade mútua.
Olhei "paulistanamente" o Rio, encontrando em Copacabana prédios incríveis, "no meu estilo". Quem sabe tenha achado a solução perfeita: morar em São Paulo e passar as férias no Rio. Duas grandes cidades, com todos os problemas e vantagens advindas do desordenado crescimento e da desigualdade social.
Assim, nasceu minha vontade de conhecer o Rio, uma vez que ainda não conheço pessoalmente, embora muito tenha lido (e visto em fotos) sobre a cidade.
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