Cidade Monções

Alguém se lembra da Avenida Santo Amaro, altura da Casa e Jardim?
Pois logo ali adiante existia um cruzamento a direita com a Rua Vieira de Morais e a esquerda com a Avenida Central, ao lado de um enorme eucaliptal (ou calipal como nós o chamávamos)
Seguindo a Avenida Central, mais além da Bom Bril, se chegava ao seu final calçado de paralelepípedos, era a Rua Guaraiuva.
Essa Rua Guaraiuva começava nas margens do riacho da Traição, como um tremendo amassa sapo, passava pela Hípica Paulista e continuava até onde é hoje a Água Espraiada.
Lá, na Guaraiuva, existia a sede da Sociedade dos Amigos da Cidade Monções, onde eram realizados bailes em alguns sábados do mês.
Esses bailes eram animados na base da vitrola, onde eram tocados desde 78 rotações a long plays. Faziam enorme sucesso o Trio Los Panchos, Bienvenido Granda (El Bigod) Ray Conniff (quando tocava na vitrola até mulher feia era tirada para dançar) e uma infinidade de bolerões da década de 60.
O problema era que nesses bailes só dava paletó (tinha pouca mulher) e com o tempo esses bailes foram rareando até a extinção.
Mas, o que sempre ficou gravado, era que :
– Oba! hoje tem baile na sede!
E o cuba livre da noite estava assegurado, e os sapatos brilhantes de nugget, para causar boa impressão. Que pena, na maioria das vezes o sapato chegava sujo de barro ou empoeirado, mas valia estar no meio daquela confusão, dançando pelo prazer de dançar com as meninas (grande parte eram empregadas nas casas das famílias da região), e ao final, interessava o Odore di femina.
Bons tempos aqueles em que para conversar com uma menina você tinha que chegar perto, iniciar o papo e quem sabe se dar bem. Nada do isolamento provocado pela Internet, nada de namoro virtual. Tudo ali, corpo a corpo e tendo que vencer a concorrência. Quando foi isso ? 64.
É, uma hora dessas vou contar sobre os bailes do Abbot e da Balila, que eram melhores ainda.