Nos anos de 1986 até aproximadamente 1990, batia cartão quase todas as sextas feiras logo na saída do serviço, nesse período trabalhava num escritório de engenharia na Rua 25 de Janeiro, rua paralela a rua das noivas (São Caetano), dali até a Rua Aurora, esquina com a Rua dos Andradas, a chamada boca do lixo era um pulo. Assim como eu fui indicado para conhecer esse local, também apresentei o local para muitas pessoas, principalmente colegas do interior e de outros Estados.
Pelas empresas que trabalhei, fiz muitas feiras de negócios tanto no Anhembi, como no Ibirapuera e Marte Center e os clientes, os revendedores, queriam conhecer a noite paulistana e eu muitas vezes servia de cicerone e o local que primeiro passava era no Léo e muitas vezes ninguém queria sair, ficávamos ali até fechar, pena que o bar fechava e ainda fecha ás 21h, muito cedo para os notívagos de plantão.
Mesmo o local sendo degradado, perigoso e frequentado por mariposas e outros da espécie, mas esse pessoal não interferia no local ficavam afastados, ali a noite parecia mais noite.
A frequência ali é grande desde as 10h até as 21h, durante o dia e a assiduidade também é grande, por policiais civis, investigadores do DEIC, que fica ali perto, tem até mesinhas na calçada para melhor atendimento.
Eu ainda era do tempo em que se pagava a conta pelo numero de “mata borrão” ou “bolachas" que colocávamos debaixo do copo, para absorver a umidade do mesmo, o “mata borrão” sempre acompanhava o chopp pedido. Nos últimos anos tenho ido só aos sábados, pois moro no fundão da zona sul e onde tenho meu escritório e só de pensar em enfrentar o transito à tarde para chegar lá, desanimo.
Um diferencial do chopp, que por acaso a marca é de minha preferência é o copo tipo caldereta, de boca larga, no qual se enche a mão ao segurá-lo e propicia molhar o bigode ou a região deste, deixando a marca da loira, uma espuma densa.
Notei que agora eles marcam a cada chopp pedido em uma comanda, ouvi dizer que alguém ou alguns andavam jogando as bolachas mata borrão na rua como se fosse malha, para pagar menos, o povo não sabe se comportar mesmo. O sistema de servir é rápido, quando o copo está quase vazio o garçom vem com outro cheio de deslumbrante configuração, o copo parece à bandeira do vaticano metade do copo amarelo e metade branco, ou seja, a espuma.
Quem não conhece reclama por causa da espuma, porem depois de degustá-la verá que é cremosa e é uma característica da casa, esse chopp realmente deixava o bigode branco. Não querendo mais chopp era só colocar a bolachinha em cima do copo e o garçom interrompe serviço.
Uma das passagens mais notórias, eu passei com uns amigos que era um quarteto de "esponjas", Carlos, Adauto, Rosevaldo. Não sentávamos ficávamos em pé, três, quatro horas, pois assim cabia mais, éramos duros na queda, em um ritmo que deixava os outros impressionados com nosso consumo. Lembro que na entrada do bar, tem um cantinho ao lado direito da porta entre a parede e o balcão que um dos amigos encaixava certinho, só que depois de muitos copos era difícil de sair, pois a proeminência ventral crescia, mas sempre dava um jeito, era um verdadeiro quarteto de redondos tomando as redondas.
Outro amigo, de grandes viagens a serviço era o Newton, aonde íamos a preocupação era saber onde tinha uma casa de chopp, ele foi membro da escola de samba do Piqueri, bom de copo, bom de samba, enfim um paulistano da gema e não conhecia o Léo, difícil de acreditar, levei-o lá e como todos, também ficou admirado e se tornou freguês.
Nessa época ainda, outro colega, Alcides, que não podia ir durante a semana, então levei num sábado, gostou tanto que depois começou a ir sozinho e às vezes levava a esposa, pois o ambiente bem familiar e aconchegante, sem falar nos deliciosos salgados típicos da casa e o local tem um estilo convidativo de choperia européia que agrada aos olhos e ao paladar, sua decoração toda voltada para o assunto chopp.
Hoje em dia quando vou á Rua Santa Ifigênia ou região, não fico sem passar por lá, tomar umas e matar a saudade dos velhos tempos, pois ainda não larguei dela, pois ela olha para mim e eu para ela e por isso nos damos bem, é minha companheira eterna, apenas diminui a quantidade por ciúmes de minha esposa, pois a loira gelada não envelhece nunca, esta sempre nova.
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