Minha mãe costumava escolher feijão jogando tudo na mesa e um a um ia separando, pacientemente. Aquele dia estava com ela na cozinha e o que foi que fiz? Enfiei um feijão no nariz e quando senti que ele não saia comecei a chorar. Minha mãe, apavorada, começou a tentar tirar o bendito feijão quando chegaram meu primo e minha tia.
Meu primo era o que chamamos de "nerd", mas aquele dia especialmente ele estava terrível. Minha mãe contou o ocorrido e meu primo começou a rir de mim dizendo que o feijão iria brotar e que das minhas orelhas sairiam folhas do pé de feijão, depois sairiam da minha boca e até dos meus olhos. Eu chorava desesperada, imaginando como iria à escola com tantos galhos assim.
Minha tia também tentou tirar e como nada dava certo e o feijão inchando no meu nariz, resolveram me levar à farmácia da Dona Candinha, que ficava na Rua Juréia, próxima da minha casa. Chegando lá a Dona Candinha olhou, colocou uma pinça, tentou puxar e não sabia mais o que fazer.
O feijão crescendo cada vez mais, eu passava a mão e sentia aquele caroço inchado e dolorido e eu chorando, mas não é que de repente saí na porta da farmácia, chorando muito e olhei para o céu dando de cara com o sol, espirrei e adivinhe quem voou longe? O bendito feijão.
Alívio geral, mas contei para a minha tia tudo o que ele fez comigo. Uma vingança boba não é? Hoje adoro feijão, e adoro o meu primo também.
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