Tanta coisa pra escrever sobre o Chico Buarque que me perco em músicas, letras, depoimentos e entrevistas.
Mas uma coisa me chamou a atenção. É algo que li sobre o pai dele, SERGIO BUARQUE DE HOLANDA, falando do próprio filho, num artigo publicado na Folha em outubro de 1991.
"Nasceu no Rio, mas quando completou 2 anos, mudamos para São Paulo. Aqui, passou toda sua infância. Preferiu fazer o científico porque achava que o curso clássico era coisa de mulher. Dado momento, escolheu um ramo bem aproximado do artístico: arquitetura. Ficava em casa criando cidades imaginárias. Todas tinham uma fonte no meio da praça: lembrança das fontes de Roma, onde moramos algum tempo. Chico, em vez de começar a falar, cantou. Desde que tentou se expressar foi através da música. Mas tarde, ficava com as irmãs aí pela sala, inventando música. Dizia que já que não conhecia de cor música de outros compositores, era obrigado a inventar as próprias…."
Pois então, Chico foi paulistano por muito tempo. Aqui decidiu sua carreira.
Em outra reportagem, descobri que em 1965, Chico ganhou cinqüenta cruzeiros pra subir no palco e cantar "Pedro Pedreiro", profissionalmente. Vejam só!
..Pedro pedreiro está esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
Espera alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar
Mas pra que sonhar
Se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás
Quer ser pedreiro pobre e nada mais
Sem ficar esperando, esperando, esperando…
E mais: Clarice Lispector convidou o Chico pra ir a sua casa. Aceitado o convite, conversa vai, conversa vem e ela diz:
– Faça, de improviso, um versinho. Vou até a copa pra te deixar à vontade.
Na volta ele diz:
"Como Clarice pedisse
Um versinho que eu não disse
me dei mal
Ficou lá dentro esperando
mas deixou seu olho olhando
Com cara de Juízo Final. "
Pelo prazer de ouvir suas músicas, Chico, Deus lhe pague!
E tem mais…