Ano de 1986, eu com 36 anos, meu filho com nove, adentramos o saguão de entrada do estádio do Morumbi, após um dos piores choques da história, com placar de 0 x 0. Nossa presença ali no saguão tinha como objetivo ver de perto e pegar algum autógrafo de jogador famoso que havia atuado naquela partida. Naquele ano, com todo respeito ao Palmeiras, o São Paulo era muito superior, tanto é que foi campeão brasileiro com sete jogadores convocados para a seleção brasileira e um para a seleção uruguaia (Dario Pereira).
Muito bem: Frise-se que o saguão de entrada do portão principal do Morumbi é um grande salão, que é passagem obrigatória para se ter acesso aos vestiários e aos elevadores. Quando os jogadores se retiram dos vestiários, forçosamente precisam passar pelo saguão para saírem do estádio. Eu e meu filho esperançosos lá estávamos, quando, de repente, passa à nossa frente o artista Chico Anísio, que nos olha e cumprimenta de forma discreta, educada e atenciosa mesmo. Lembro-me até hoje com clareza que fiquei um tanto quanto perplexo. Um homem daquela importância dirigindo cumprimentos a mim e meu filho, para quem, depois, expliquei quem era aquele homem que nos cumprimentou educadamente e atenciosamente.
Minha perplexidade paralisou por instantes, tempo suficiente para o diferenciado artista sumir da minha vista. Posteriormente, vimos Zetti ainda no Palmeiras, Muller e outros, porém, o que marcou foi a presença humildade, nobre, educada, do Chico Anísio, dando atenção a tantas quantas pessoas que lá se encontravam. Muito difícil nos dias atuais, quando vejo meu filho com 35 e bem casado, não nos lembrarmos daquela tarde, da visão ao vivo do grande Chico Anísio, afinal, ele já era tão admirando.
Neste sábado, 24 de março, eu e minha família desejamos que Chico Anísio descanse em paz com Deus, e que a família dele tenha forças. Faço esta homenagem ao Chico, não somente por que ele foi educado lá no Morumbi não, mas também porque ele fez o mundo ser mais feliz. Meu saudoso pai, Franciso, homem culto, adorava, apreciava e admirava o Francisco Anísio. (Perdoem-me por não usar o Y).
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