Sinto cheiro do amanhecer da década de 50, no bairro do Brás. A casa de minha avó, na Cel. Mursa, pela manhã, cheirava a café, pão bengala, comprado na padaria da D. Sebastiana, manteiga em lata Aviação.
Voltando da escola, à tarde, no almoço, um belo brodo, com todos os legumes do mundo dentro. Mais um pão, agora sovado, comprado na mesma padaria para o lanche da tarde. Um bom mantecau também. Se viesse alguma visita, havia cheiro de mortadela no ar, e refrigerante.
À noite, hora do jantar, cheiro de comida esquentada do almoço.
Aos domingos, uma bela macarronada com carne no molho bem vermelho, e a casa cheirava a frango assado. Cheiro de amor, de coragem, de luta para que nunca faltasse alimento para nós.
Hoje sabemos como era difícil colocar esses cheiros à mesa. Ninguém dormia com fome… Obrigada a todos vocês. As paredes devem conter essas lembranças ainda.
Um baccio per tutti.
e-mail do autor: [email protected]