Charutinho

José Saramago, em uma de suas crônicas, fala de estátuas.
Não vou me ater aqui ao conteúdo do texto, mas à passagem onde ele comenta que, em Espanha, há uma bela estátua do Dom Quixote e seu fiel escudeiro Sancho Pança e que esta estátua é um marco, pois mostra mais uma vez – e cabalmente – a importância destas personagens que transcendem a literatura incorporando-se de uma forma inalienável na cultura espanhola e, claro, na cultura ocidental.
Bom, na seqüência, Saramago – o 1º nobel em lingua portuguesa – comenta que se Portugal resolvesse erigir uma estátua homenageando uma personagem de sua literatura, esta personagem, na opinião dele, Saramago, somente poderia ser o Conselheiro Acácio, estupenda personagem, tipicamente lisboeta, criada por Eça de Queirós, que permeia sua literatura, e aparece em "O Primo Basílio" (quem ainda não leu, corra!).
Indo nas águas do José Saramago, pensei em um personagem tipicamente paulistano; um daqueles tão presentes no nosso dia a dia que mereceria ser homenageado via estátua, em praça pública, para a posteridade.
Pensei no "Charutinho", do Adoniram Barbosa. Claro que existem outros, por exemplo, na literatura de Mário e Osvald de Andrade,mas não sei se seriam tão representativos. Fica a sugestão.