Era um programa que Silvio Santos tinha na TV Paulista canal 5 (hoje TV Globo). Eu nesse tempo (1962) era rueiro e não assistia TV. Meu pai e minha mãe assistiam toda segunda feira às 21 horas. Meu pai mandou uma carta e foi sorteado. Mas ele estava doente e minha mãe mandou que eu o fosse representar. Fui naquele dia a rua das Palmeiras, onde ficava o auditório, juntamente com meus amigos Ciniro e José. Chegando lá tinha mais gente na rua do que dentro do auditório. O segurança não me deixou entrar. Mesmo dizendo a ele que tinha sido sorteado e ia participar do programa fiquei de fora. Então o negócio era vir embora. Uma mulher que estava na rua também querendo entrar, me disse que eu esperasse o Silvio Chegar e dizer a ele que ia participar do programa e não me deixavam entrar.
– E como sei quando e como ele vai chegar?, perguntei a ela.
– Olha, ele tem uma perua Rural Wilys, verde claro. É fácil saber. A hora que ele chega, vai um monte de gente rodeá-lo. Olha lá, e por falar nele, olha ele ai chegando.
Quando Silvio Santos estacionava o carro fui lá e disse que meu pai tinha sido sorteado, mas não pode vir por estar doente. Ele muito educadamente me disse:
– Olha rapaz eu não posso colocar pessoas representando outras é regulamento do programa. – Você tem a identidade do seu pai, ai?
– Sim tenho!
– Então façamos o seguinte: Eu te chamo pelo nome do seu pai, e ninguém vai ficar sabendo que você não é o Ângelo. Entra comigo pelo lado que entra os funcionários da TV.
– Olha Silvio, trouxe dois amigos comigo.
– Tudo bem, chama-os também.
E assim foi, entramos todos pela porta lateral, e ele dizendo para o porteiro que estávamos com ele.
Ficamos no palco atrás da cortina. Ainda estava no ar o programa da Hebe Camargo, fazendo suas entrevistas. Lá junto de mim além dos amigos estava também Manoel de Nóbrega, que também ia participar do programa como artista convidado. Enquanto o programa não tinha início fiquei conversando com Nóbrega, dizendo que quase dez anos antes eu ia assistir ao programa dele na rádio Nacional, e que conhecia o Carlos Alberto, Ronald Golias, e adorava os quadros que ele participava, como Zé da bronca em que Nóbrega fazia o papel de pai do Zezinho, e da escolinha de grupo que ele era o professor, o Ronald Golias o aluno atrapalhado e o Valter Ribeiro dos Santos o japonês engraçado. Quando o programa começou fui o primeiro a ser chamado.
Sílvio me mandou escolher uma placa que tinha uma palavra escrita. Ele destapou a primeira e a última letra. E eu tinha que ir dizendo uma letra de cada vez. Ao lado um boneco pendurado numa forca. Cada letra que eu acertava ganhava um prêmio. Errando ele ia tirava uma parte do corpo. Perna, Braço até ficar só a cabeça. E quando isso acontecia o boneco estava enforcado e o candidato não ganhava nada. A placa que escolhi tinha sete letras. Primeira letra A, a sétima também letra A. Fui falando as letras e ia errando. Tinha dito duas consoantes. Silvio me deu a dica. Ângelo, olha as vogais. Como já tinha duas, fui de letra E, errei. Fui de letra I, errei. Apelei para o U, errei também. Acabei enforcado. A outra vogal que tinha era outra letra A. O nome na placa era ALCATRA. Para não dizer que sai de lá "sapateiro" levei um "ferro" Ferro elétrico, é lógico. Quando voltei para trás da cortina o Nóbrega me disse: Se você fosse açougueiro seria bico, não? Na vez dele a palavra tinha nove letras, começava com a letra M e terminava com a letra A. Era barbada pensei Margarida, ele ia dizendo as letras e ia acertando todas. Deixou a letra D para último. Ai ele errou era a letra a N, de MARGARINA. Quando cheguei em casa meu pai estava bravo: Moleque Burro. Se eu fosse lá, acertava todas. Acontece que ele não foi.