Centro da cidade – São Paulo à noite

Dizem que hoje a violência em São Paulo está demais. É verdade: assaltos, mortes, brigas, prostituição, etc. Mas a violência sempre existiu em São Paulo, principalmente à noite. Estou falando de 1960, época de ouro, dos Anos Dourados, começo da Ditadura Militar. Eu tinha 20 anos, jovem, bonito (desc. a modéstia), alto, era o tipo boa pinta da época, frequentava a boêmia quase todas as noites. Gostava da boca do luxo (Dakar, Hollyday, Wariety, La Vien Rose, Michel, Teteia, Club de Parys, La-Ronde, Galo Vermelho, etc.).

Fiquei conhecido nas boates das garotas, da Laura, do Hercílio Paiva, o Gravatinha, do Nastari, todos donos do La-Li Corne. Nas ruas, nas madrugadas, sempre tinham brigas. Na época tinha a famosa polícia, a Rudi (era a rota de hoje), já chegava atirando, era uma polícia barra pesada, tinha os investigadores que mais tarde foram descobertos no esquadrão da morte.

Nos sábados e domingos à noite, na porta dos cines Marabá e Ipiranga, era um antro… Nós jovens éramos assediados, na entrada e dentro dos cinemas, não tínhamos sossego, às vezes tínhamos que ser violentos para eles pararem de perturbar a gente, a cidade de São Paulo sempre foi e será violenta.

Começa os assaltos a bancos. Eram os terroristas, os subversivos, etc. Enfim, São Paulo será sempre São Paulo, não importa a época, as noites serão sempre violentas.

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