Por duas épocas trabalhei no centro de São Paulo. A primeira foi por volta de 1964, no Largo do Paissandu. Já a segunda, em 1972, na galeria Califórnia.
Eu sempre gostava de chegar cedo e, antes de subir ao escritório, eu ficava perambulando pelas ruas dos arredores, batia papo com os porteiros de prédios, pois ali atrás do Caetano de Campos e Avenida São Luiz, tinha muitos aptos residenciais.
São prédios ainda que mantém o famoso "porteiro" com aquela mesinha de correspondência. Logo cedo eles lavavam as calçadas das ruas de fronte ao prédio, arrumavam as flores, e vinha um cheirinho gostoso de terra.
Ali também, na Avenida Vieira de Carvalho, era a mesma coisa. Quando eu não estava perambulando ficava na galeria Califórnia (acho que a cafeteria era a Mocambo), tomando o famoso café expresso.
Os porteiros iam comprar os pães na padaria do Largo do Arouche, ao lado do cinema, ou em uma vendinha que ficava no começo da Rua Nestor Pestana, depois veio o Pão de Açúcar na Praça Rooselvet, mas não tinha padaria.
O interessante é que as ruas eram mais seguras: eles deixavam as portas de ferro dos prédios abertas, no final do dia, para não enfrentar o trânsito (o metro ainda não tinha chegado).
Ficávamos no centro, fazíamos algum curso ou íamos às lojas de disco (LP’s). Ficávamos lendo os cartazes dos filmes nos cinemas.
Após as 19h, as ruas eram todas iluminadas pelas próprias luzes das vitrines. Hoje não ocorre mais isso, as lojas já fecham as portas ao anoitecer, face aos ladrões na região.
Quando era sexta-feira, a nossa turma do escritório ficava tomando chopp e comendo bolinho de bacalhau, em um bar na Praça da República. Deixávamos o carro estacionado nas ruas das redondezas e não tínhamos seguro (nem sabia o que era isso). Depois de algum tempo, comecei a estacionar no antigo Cine Republica, que virou estacionamento na época. Com certeza, face aos tempos modernos e não seguros, não daria para fazer isso hoje.
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