Centenário do 1º Ferolla Brasileiro

Falar de meu pai é fácil, falar de meu pai é relembrar um homem que nasceu, cresceu, envelheceu e partiu sem nunca ter deixado de ser criança.

Nicolau Ferolla faria 100 anos neste ano de 2009, e essa data marca o nascimento do 1º Ferolla brasileiro, pois ele foi o primeiro bisneto do Nono, primeiro filho de Francisco e Carmen, primeiro irmão de uma série de nove. Nunca soube precisar exatamente se nasceu no dia 21 ou no dia 28 de maio de 1909, sabia afirmar com orgulho que nascera na Rua Carneiro Leão, no coração do bairro do Brás.

Por ser o primeiro neto, vivia na casa de seu avô paterno, Nicola Ferolla, que lhe fazia todas as vontades e desejos. Tinha paixão por Tia Nanina e Tia Fatina, irmãs do Nono. Falava italiano e uma vez aos prantos disse: – Nono, voglio sposare-me! Queria casar-se! Nono prontamente solicitou a empresa Rodovalho que aprontasse um carro para casamento e lá foram os dois – avô e neto, a passear pelas ruas do Brás.

Como neto mais velho, participava da administração da próspera Fábrica de Móveis Ferolla. Porém uma crise financeira abateu o país e a fábrica faliu. Papai viu-se com a imperiosa necessidade de trabalho e ingressou na Guarda Civil do Estado de São Paulo.

Nos anos 30 conheceu uma espanhola linda, exímia dançarina, que com ele formou um par que encantava os salões ao dançar um tango bem marcado. Maria Della Luz tornou-se sua esposa em 1933. E passados nove meses e dez dias do casamento, nasceu o primeiro filho, Francisco Ferolla – Chiquinho. Cinco anos mais tarde, em 1938, nasceu Carminha.

Papai e mamãe lutavam muito para viverem e sobreviverem com dignidade, ele na polícia, ela como operária em fábrica de confecções. Quando Chiquinho estava com 17 e Carminha com 12 anos, Dona Maria pensou que entrava na menopausa, ledo engano, em outubro de 1950 nasci eu – Dione.

Diziam que papai e eu éramos carne e unha, éramos amigos, cúmplices de muitas traquinagens. Nunca necessitei ter heróis de revistas em quadrinhos ou de filmes de TV, meu herói morava na minha casa e eu o chamava de papai. Meu pai era inteligente, esperto e sensível. Lia muito e fazia palavras cruzadas. Era um profissional respeitado por toda a corporação, dirigiu carros de presos, ambulâncias, rabecões, foi motorista de autoridades, até do governador Ademar de Barros. Papai foi considerado por revista especializada um policial que honra a classe, "o melhor volante de São Paulo". Passou muitas festas de fim de ano de plantão e nós chorávamos a sua ausência. Seu bom humor e carinho o faziam ser extremamente requisitado por todos, principalmente pelas crianças. Meu pai sempre esteve presente na vida de seus filhos nos momentos de alegria e nos de maior dificuldade. Sofreu imensamente quando mamãe partiu em um acidente. Foi herói também dos nove netos.

Portanto, neste maio de 2009, data em que ele faria seu centenário, em meu nome, dos meus irmãos, dos netos, bisnetos, irmãos e sobrinhos, deixo registrado, orgulhosamente, todo nosso respeito e saudade a esse homem que soube, aqui na terra, cumprir sua missão.

– Nosso Velho querido, nós te amamos e onde você estiver receba todo amor e carinho da sua família que o tem como norte, nobre exemplo de um homem/menino, que nesta vida simplesmente amou.

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