Nasci em 1949, no bairro do Caxingui em Sampa. O Caxingui, para quem não conhece, fica a cinco minutos do Butantã, indo pela Avenida Professor Francisco Morato.<br><br>No Caxingui cresci, alfabetizei-me, estudei, namorei, joguei futebol de campo, casei em 24.04.1976 na Igreja de Santo Antonio, que fica no Largo do Caxingui. Enfim, toda minha vida foi caxinguelense. Todavia, depois da data supracitada, mudei do Caxingui. <br><br>Enfim, minha desenrolou-se e hoje estou com 61 anos de idade e aposentado. Faz mais ou menos, um ano e meio, um conhecido meu entrou em contato comigo, convidando-me a comparecer numa reunião na qual estariam presentes nossos amigos de infância, juventude. E como sou saudosista e tenho meus antigos amigos na saudade, aceitei de pronto o tal convite, e na companhia de meu irmão fui a tal reunião.<br><br>Eu com 60 e meu irmão com 64 anos perguntávamos sobre quem poderia estar na tal reunião. E quando chegamos à casa do anfitrião, o Dorival, filho do saudoso senhor Otávio, eu e meu irmão ficamos procurando nossos velhos amigos. Chegamos a ficar uns 15 minutos sem reconhecer ninguém, quando finalmente perguntei ao Dori sobre o paradeiro de nossos velhos amigos veio à surpresa.<br><br>Dori foi nos reapresentando a todos os presentes:<br>-“Aquele é o Berto, aquele é o Zilomag (cunhado do Osni) e aquele é o Osni, aquele é o Techo e aquele é o irmão do Berto, o Márcio”.<br><br>Aí senhores, eu estava vivendo um dos momentos mais estranhos e emocionantes de toda a minha vida, pois todos estavam absolutamente irreconhecíveis. Um deles estava com sequelas de AVC, outro irreconhecível e com aspecto mórbido, o outro dava dó, enfim, em cada rosto, via-se o sofrimento. Apenas e tão somente, uma minoria era reconhecível, e guardava aspectos de outrora. <br><br>Ao final, eu e meu irmão saímos da reunião, aborrecidos querendo chorar por termos constatado o que o tempo fez com nossos amigos do Caxingui. Parecia que cada um tinha vivido o seu drama particular, o seu sofrimento. Passaram-se três meses desta reunião e recebo novo telefonema do Dori que, agora não me convidava para nova reunião, mais sim para informar que o nosso grande ídolo Berto havia falecido. O Berto estava na reunião com aparência doentia mesmo, mais não sabíamos que seu fim seria tão precoce. O Berto era fruto de uma família de boa situação no simplório bairro do Caxingui, e o que ele podia fazer para ajudar aos amigos, ele não titubeava e ajudava a todos. Por isto, era visto no Caxingui como um ídolo.<br><br>Mais o que mais marcou foi à situação de cada um. E agora, que resido a 328 quilometros de distância do Caxingui, fico a me perguntar se voltarei sequer a receber novas notícias daqueles que cresceram e marcaram presença em minha lembrança. <br><br>Hoje, estou com 61 anos, feliz, com esposa e filha maravilhosas, todavia a nostalgia é implacável e vira e mexe me faz ter atitudes como esta, por exemplo, de escrever sobre pessoas que jamais esquecerei. Fico a me perguntar o que aconteceu com cada um, mais sei que a dona vida é complicada, o que torna difícil o encontro de respostas para tudo. Não é mesmo?<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>