As quatro mais famosas e tradicionais festas anuais italianas do calendário de São Paulo têm início marcado pela Festa de Casaluce, que acontece durante todos os finais de semana do mês de maio, seguida pela Festa de S. Vito Mártir, no Brás, durante os finais de semana do mês de junho; a posterior, a festa de N. S. de Achiropitta, no Bixiga, acontece em agosto e, terminando, a Festa de S. Gennaro, na Mooca, em setembro. Todas marcadas pela característica religiosa da devoção ao Santo da região dos imigrantes radicados no bairro, e também pelas delícias culinárias regionais.
Este ano, foi comemorado a 108ª festa tradicional de Casaluce pela imensa colônia de italianos de São Paulo, "A Pequena Itália", como é chamada, pois, apesar da primeira leva da imigração italiana em massa haver ocorrido em 1880, em 1897 a proporção já era de dois italianos para cada brasileiro na cidade!
Iniciada no Brás, a partir de 1900, época em que fundaram a Associação Maria Santíssima de Casaluce, na Rua Caetano Pinto, 608, com a finalidade de conservarem as tradições napolitanas, a Festa de Nossa Senhora de Casaluce é considerada a festa italiana mais antiga de São Paulo, realizada pela colônia napolitana, residente no nascente bairro do Brás.
A Festa di Casaluce acontece no final de abril, seguindo nos finais de semana do mês de maio, sempre a partir das 18 horas. Inicia-se com a procissão e, acompanhada pela banda de músicos, percorre as ruas do bairro enquanto os moradores, nas portas das suas residências, oferecem aos participantes alimentos, frutas, doces e bebidas – ou, numa atitude fervorosa, jogam pétalas de flores sobre a imagem e o andor da Madona di Casaluce, cuja tradução significa Nossa Senhora da Casa de Luz!
Depois da liturgia, começam as apresentações de danças folclóricas e shows musicais, com apresentações variadas, onde não pode faltar a alegre Tarantela, além da excelente comida típica do sul da Itália, como macarrão, pizzas, polpetas e queijos, regada a vinhos, semelhante às nossas quermesses juninas, com fogueira, fogos de artifícios e gincanas, como a corrida de sacos.
A primeira capela de Nossa Senhora de Casaluce foi instalada em uma casa alugada, com apenas a imagem dela no altar e algumas cadeiras, para que os devotos pudessem reverenciar esta padroeira napolitana. Somente em 1900, foi construída a Igreja atual, onde encontramos, diariamente, a dedicação e cuidados do Sergio para que tudo saia a contento!
A renda da festa é revertida para a Paróquia de Nossa Senhora de Casaluce, para desenvolvimento de trabalhos pastorais, cursos e atividades para jovens e idosos.
Nápoles, o local de origem destes primeiros imigrantes, situa-se ao sul da Itália, na região de Campania, formada pelas províncias de Avellino, Benevento, Caserta, Napoli e Salerno.
Em 1979, morei em Nápoles, na colina de Posilipo, e, da sacada do apartamento da Via Névio, eu podia ver Mergelina, a cidade, e Sorriento, do outro lado do golfo, conforme pintei no quadro aqui reproduzido; O Vesúvio, soltando umas fumacinhas de vez em quando, avisa que não está tão tranqüilo quanto parece. Morando lá, aprendi que o napolitano, quando fala da beleza de Nápoles, não exagera nem um pouquinho. Isso só acontece quando fala: “Ver Nápoles e depois morrer”. Aprendi que este é um interessante jogo de palavras, visto que o chefe do trem que vai para o sul da Itália indica aos passageiros: “Vedi Napoli e poi Mori”, ou seja, “Vendo Nápoles, depois Mori”. Mori é o nome da cidade seguinte, e não “mori” do verbo “morire”, literalmente morrer. Mas vale o trocadilho, pois não deixa de estar bem empregado. O trânsito é um tanto caótico nas ruas estreitas, onde existem milhares de motos, apesar de que, inacreditavelmente, todos cabem, como num coração de mãe – as mammas que o digam!
Durante um certo período, na época da Segunda Guerra mundial, esta Festa de Casaluce teve que ser suspensa, devido ao fato da Itália haver se posicionado do lado contrário aos aliados, mas, para nossa alegria, em 1950, ela voltou a ser realizada.
Atualmente, a Festa se realiza na Rua Caetano Pinto, onde existe a Igreja, com grande número de barraquinhas e restaurantes típicos, e recebe cerca de 30.000 pessoas a cada ano do mesmo modo como se estivessem em Nápoles, no entorno do Castelo de Casaluce ou nas ruas de Aversa. O intuito é que desfrutem deste momento, das tradições, das comidas maravilhosas, dos vinhos deliciosos, das suas músicas românticas inesquecíveis e da alegre Tarantela, pois a Festa de Casaluce é tipicamente napolitana.
Aqui fica a sabedoria napolitana: “Quello qui beve il vino, dice la verità”. A quantidade de pessoas que comparecem é quase incontável, todas se mesclando harmoniosamente às mammas e às outras pessoas da imensa colônia italiana, sempre hospitaleira e alegre.
O Vinho, sempre presente, acompanha todo e qualquer prato, ao som do indefectível brinde: “Salute, Fortuna e Figli Maschi!”.
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