Carnavais, bondes, passeios

Minha lembrança da minha infância, a qual passei na Rua Barão de Limeira onde nasci, esquina com a Praça Julio de Mesquita.

Lembro-me dos carnavais dos anos 40 a 50, quando passavam os carros alegóricos com os foliões em cima dançando, e eu com meu irmão e nossos pais sentados à beira da calçada, com fantasias confeccionadas pela nossa mãe.

Ficávamos extasiados olhando tudo. Algumas vezes passava alguém e lançava um jato de lança perfume, confetes serpentinas. Nos postes eram colocados alto-falantes tocando aquelas marchinhas gostosas. Ia das 14h00 até a meia-noite, e muitas vezes nos mudávamos para a casa de uma tia, pois o barulho não nos deixava dormir.

E também dos bondes me lembro bem. O 14 Vila Buarque, que meu irmão pegava para ir na escola. Era aberto este bonde, e minha mãe pedia para ele não ir no estribo. Eu pegava o 36 Angélica e ia com minha avó no Parque Trianon passear e ver o bicho-preguiça que eu adorava, e ficava horas olhando-o.

Também sinto saudades dos cafés que tomávamos na confeitaria Vienense, na Rua Barão de Itapetininga, escutar os violinos, e tomar café no Mappin (era o must), com desfiles de moda.

Saudades desta minha São Paulo querida, em que saíamos às ruas sem nos preocupar com assaltos, seqüestros e tudo o mais.