Naquele tempo (anos 60) ainda não existia a Avenida Brás Leme, ali havia uma Chácara onde vendiam Leite de Cabra, e não existiam também os prédios do pessoal da Aeronáutica. A Rua Dr. César virava e ia até a Praça 11 no Cruzamento com a Rua Alfredo Pujol e "Caminho Chora Menino".
Um lugar que nos chamava muito a atenção era o Quartel na Rua Alfredo Pujol, os rapazes ali serviam o Exercito (CPOR) às vezes faziam um tipo de ronda no Bairro, à cavalo e as moças da vizinhança, me lembro bem, ficavam muito ouriçadas para vê-los, pois parecia que os escolhiam pela beleza. Eram todos considerados "pães".
Eu não conhecia ainda a cidade, portanto não sabia nem pegar ônibus para ir ao centro da cidade, na "cidade".
Um dia minha mãe pediu a mim e a meu irmão Luiz Antonio (Toninho, infelizmente, falecido em 21/04/2004) para irmos até a VASP, lá na Libero Badaró, próximo ao Largo São Francisco, para despachar uma encomenda para Uberlândia. Não tínhamos noção do local do endereço, mas perguntamos aqui e ali e lá chegamos.
O dinheiro que leváramos foi todo na remessa da referida encomenda.
Meu irmão e eu ficamos apavorados com o fato, e não sabíamos como voltar para casa. A pé? Era muito longe, e não tínhamos conhecimento de como chegar a Santana. Começamos a chorar desolados. (Eu com 14 e meu irmão com 12 anos)
Chegando ao Largo de São Bento, tomei a iniciativa de pedir ao dono de uma Banca de Revistas o dinheiro para pagarmos a condução. Ele nos olhou meio desconfiado e resolveu nos emprestar o dinheiro e ainda nos ensinou como chegar no nosso Bairro. Prometi que voltaria ainda naquele dia para lhe pagar. Acho que apesar de não ter acreditado em nós, decidiu nos ajudar.
Chegando em casa, peguei o dinheiro com minha mãe, que por sinal ficou muito preocupada quando contamos o fato e voltei ao Largo de São Bento e devolvi o dinheiro ao senhor. Ele quase não acreditou, mas a partir daquele dia, fiquei sua amiga e freguesa na Banca de Revistas.
Comecei a trabalhar na Rua São Bento (Banco Federal de Crédito) e sempre o visitava lá na Banca, comprava revistas, (Capricho, Sétimo Céu, e outras fotonovelas) fiado, (por muitos anos) e só pagava no dia que recebia meu salário no Banco.
Este fato ficou muito vivo em minha memória, pois foi com minha honestidade que ganhei um grande amigo. Um senhor idoso, mas muito gentil e educado, do qual não me lembro o nome, mas lhe sou grata até hoje.
Até a próxima.