Capela do Socorro: Avenida Atlântica

O bairro Capela do Socorro, que se incorporava ao distrito de Santo Amaro, tem seu nome ligado ao marco importante para a aviação mundial relacionado à Primeira Travessia do Atlântico sem suporte marítimo pelo oceano. Este épico ocorrido em 1927 foi realizado pelos aviadores, Francesco Di Pinedo, comandante da Força Aérea Italiana e João Ribeiro de Barros, comandante brasileiro, natural da cidade paulista de Jaú. Os dois amerissaram com seus hidroaviões Santa Maria e JAHÚ na Represa de Guarapiranga, reservatório de água da Região Metropolitana de São Paulo e fornecedora de energia elétrica da empresa canadense Light & Power.

O fato teve relevância à época, promovendo a vinda do maior industrial de São Paulo, Francesco Matarazzo a Santo Amaro conversar sobre a construção do Monumento aos Aviadores da Travessia do Atlântico para memória deste momento histórico. O empresário fez o pedido ao então prefeito em exercício de Santo Amaro, Isaias Branco de Araujo, convencendo-o da importância histórica do Monumento que foi idealizado pelo artista italiano Ottone Zorlini em 1929.

Isaias Branco de Araujo já havia decretado cumprimento dos nomes dos aviadores às ruas nas margens da represa de Guarapiranga, além da referência de Atlântica ao que era ainda uma estrada de terra que acessava a obra da "AESA – Auto Estradas S.A.", uma estrada em construção ligando a região da "Cidade de São Paulo" a "Cidade de Santo Amaro" e que se completava ao Largo 13 de Maio, centro de Santo Amaro, através da Avenida Victor Manzini, outra homenagem justa ao fundador do jornal "A Tribuna", onde o amigo Pedro Nastri teve a honra de trabalhar e dizer com orgulho em ser o jornal de bairro mais antigo de São Paulo, cruzando pelo Rio Pinheiros passando pela Capela do Socorro dirigindo-se a Cidade Dutra.

O jornal da região, "Gazeta de Santo Amaro", que teve em suas fileiras o saudoso repórter fotográfico Luiz Menotti, que toda Santo Amaro carinhosamente chamava de Tico, em novembro de 1960 recolhia o depoimento Isaias Branco de Araujo, prefeito de Santo Amaro de 1917 a 1928, na época município do Estado de São Paulo, declarando no subtítulo "De Pinedo e Conde Matarazzo":
– “Recepcionei João Ribeiro de Barros quando desceu com o Jahú na Represa. Em homenagem ao grande aviador, dei o nome à avenida do bairro do Socorro. Quando o Conde Matarazzo, em nome da colônia italiana, veio a esta cidade tratar do monumento na represa em honra ao aviador, foi por mim recebido".

No inicio da década de 60 houve necessidade de ampliar a "picada" cortada na mata original que saia do Largo do Socorro, indo ao encontro do empreendimento da estrada unida a Interlagos, sendo, mais tarde, a referida avenida ampliada durante a gestão do prefeito de São Paulo, Francisco Prestes Maia, hoje, em sua homenagem, nome da biblioteca santamarense, quando era o subprefeito de Santo Amaro o senhor Fernando Scalamandré Junior.

Nessa época também houve a alteração do nome da Avenida Atlântica para Robert Kennedy, em homenagem ao irmão do presidente americano John Kennedy, que visitava o Brasil, fruto da "Aliança para o Progresso" entre os países da América da década de sessenta e que foram responsáveis de liberação de fundos financiadores de empreendimentos brasileiros.

Uma nova resolução atual, Lei nº 14.454, de 27 de junho 2007, define não ser mais possível colocação de nomes estrangeiros em ruas, avenidas, praças e logradouros públicos em língua diferente da nacional voltando deste modo o nome original de Avenida Atlântica, realizado por ato público em 19 de dezembro de 2010, que recebeu de volta também o "Monumento aos Aviadores da Travessia do Atlântico", no Parque da Barragem, na Represa de Guarapiranga.

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