Cantora(e)s do rádio

Nos anos 50-60, o cenário musical era dominado pela poderosa Rádio Nacional, uma espécie de TV Globo dos dias de hoje. A definitiva consagração de qualquer artista só acontecia após passagem pelas ondas possantes da emissora carioca. Grandes expressões do teatro, da música, das novelas, só adquiriam renome depois de passar pelas vitrines da Nacional. Os programas de César de Alencar, Manoel Barcelos, Renato Murce (Papel Carbono), e os musicais com Francisco Alves, Sílvio Caldas e Carlos Galhardo eram imbatíveis em seus horários. Eram programas ao vivo, muito bem produzidos, com orquestras sensacionais, muito acima dos padrões das emissoras concorrentes. Hollywood tupiniquim.

Nem mesmo a Tupi, "a mais poderosa emissora paulista", ameaçava o poderio da Nacional. Grandes cantoras como Elsa Laranjeira, Wilma Bentivegna, Alda Perdigão, Leny Everson, Claudete Soares e outras eram praticamente desconhecidas fora de São Paulo. Entretanto, cantoras de limitados recursos como Emilinha Borba e Marlene eram verdadeiras coqueluches, com direito a fãs clubes, coroas de rainhas etc. A única exceção foi Isaurinha Garcia, que encantou os cariocas com seu sotaque paulistano e excelente voz.

Dentre os cantores tínhamos Solon Sales, o Seresteiro da Paulicéia, Mauricy Moura, dono de magnífica voz, Francisco Petronio, Adauto Santos, Almir Ribeiro, morto prematuramente, Francisco Egídio e o notável Emilio Escobar. Todos ilustres desconhecidos dos cariocas. Tito Madi já era velho conhecido dos paulistas quando o Rio se rendeu ao seu talento.

Com a chegada da televisão, a Tupi e, mais tarde, a Record, davam as cartas, e aí explodiram Agnaldo Rayol, Germano Mathias, Jair Rodrigues, Roberto Luna, Noite Ilustrada, e tantos outros. Foi a época de ouro dos festivais da Record, da Jovem Guarda, do programa O Fino da Bossa, com Jair Rodrigues e Elis, e o Bossaudade, com Elisete Cardoso e Ciro Monteiro.

Faço uma referência e uma homenagem a Marcus Pereira, que criou um selo para gravar os grandes injustiçados da MPB e "confeccionou" um mapa musical do Brasil. Admirável. Endividou-se tanto com esse projeto e, sem saída, dizem os amigos, optou pelo suicídio.

Com a ascensão da TV Globo, o eixo retornou para o Rio, e com ele a exaltação à mediocridade, como diria Stanislau Ponte Preta, e dá-lhe Leonardo, Pato Fu, Skank, Latino, recheando nossos domingos de asneiras, equívocos e disparates. Até quando?

Amigos, peço-lhes desculpas pelo desabafo. Seguramente cometi omissões, falhas e até injustiças. O espaço está livre para as opiniões dos caros leitores do São Paulo Minha Cidade.

Obrigado.

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