Avivando a memória (incentivado sempre mais e mais pelos belos textos que encontro no site a cada manhã), fui rever minha chegada a São Paulo numa tarde ensolarada de abril.
Cidade grande pra mim, até então, era Poços de Caldas; nem Campinas eu conhecia. Tinha sete anos.
Na nossa passagem por Campinas, fiquei boquiaberto com a enormidade da cidade; quando chegamos a São Paulo, então, foi inacreditável.
Carros, uma incrível profusão de carros. Um mar de gente.
No céu, os aviões. Na terra os arranha-céus, que era assim que se chamavam. O cinza chumbo e o azul e as nuvens. Confusão de cores, sons, tons.
A vida foi. E tanta coisa mudou, mas o menininho não, que este não muda, continua meio que estupefato diante de tudo, buscando sempre o novo, seja nos versos de Pessoa, nas paginas de Brontë, nos acordes do Cansei de ser Sexy ou na memória que é o local mais fácil – e talvez o único possível – de se reencontrar.