Cadê os bichinhos da minha infância?

Dias atrás estava com meus sobrinhos e de repente passou por nós uma borboleta, aliás, uma linda borboleta colorida leve e esvoaçante. Meus sobrinhos se encantaram com ela e eu fiquei observando a dança que ela fazia no ar, porém me veio à lembrança a minha infância querida, que foi colorida com as mais diferentes espécies de bichinhos, uns voavam, outros rastejavam mais conviviam com a meninada numa boa.<br><br>Nos jardins, porque aqui em São Paulo naquela época as casas, a maioria, tinham jardins floridos e árvores até frutíferas e que os moleques faziam questão de roubar as frutas ainda no pé. Nesses jardins, então, víamos "joaninhas" vermelhas, amarelas, louva-deus, lagartas, tatu-bolinha, minhocas se remexendo na terra, formigueiros enormes e víamos as formigas no seu trabalho diário carregando folhas, para elas enormes, para dentro do formigueiro abastecendo sua despensa para o rigoroso inverno, e era muito rigoroso mesmo.<br><br>Quando a noite caia, então, era como se fadas invisíveis tocassem com sua varinha todos os jardins e de repente eles surgiam aos montes, cada um num canto e aquela luzinha verde que acendia e apagava num minuto deixando-nos extasiados e felizes. O nome dele era vaga-lume, digo era porque nunca mais aqui no meu bairro eu vi um sequer e para explicar para meus sobrinhos como ele era é difícil, porque as crianças de agora, mesmo explicando com detalhes, elas não vão nunca entender que um bichinho pequeno tem a capacidade de acender e apagar sem ter um controle remoto para essa ação.<br><br>Sabem que além dos vaga-lumes, tinham também o som dos grilos quase em compasso com a luz dos amigos vaga-lumes faziam companhia também aos sapos, porque eles apareciam de vez em quando e o mais curioso de tudo isso é que era aqui no bairro da Vila Mariana, este bairro hoje tão desenvolvido.<br><br>Era muito importante uma criança ser picada por uma abelha ou por uma aranha. Apesar da dor a criança era olhada com respeito e admiração, afinal ela foi escolhida para ser o herói da semana, pois logo vinha outra criança com o mesmo feito heróico.<br><br>Digo, explico, mas não dá para transmitir o sentimento que era estarmos diante dessa maravilha de natureza e que hoje, com tantas mudanças o homem conseguiu extinguir para sempre a luz de todos esses bichinhos tão lindos e adorados antigamente. <br> O homem avança diante do desconhecido, cria máquinas espetaculares, produz até criança em laboratório, mas essa natureza, jamais ele produzirá e nossas crianças não terão o prazer de voltar a vê-los em nossas Selvas de Pedra.<br>Que pena!<br><br><br>[email protected]<br>