"Alguma coisa acontece no meu coração…."
Difícil não lembrar da música do Caetano quando paramos naquela esquina famosa. É. Aquela mesma. Da Rua Ipiranga com a Avenida São João. Imortalizada pelo compositor baiano a esquina é movimentada, com carros em disparada, ônibus lotados de pessoas batalhadoras e muitos transeuntes vindos das mais diversas regiões do Brasil. Todos em busca de um ideal. Sobreviver na selva de pedra repleta de encantos e também de perigos. Dou alguns passos e paro em frente ao Marabá. O último bastião da resistência cinematográfica do Centro de São Paulo. É muito triste observar que praticamente todos os cinemas da região fecharam dando lugar a estacionamentos, bingos ou igrejas evangélicas. Me vem à cabeça lembranças da minha adolescência quando freqüentava o centro nos domingos à tarde para pegar uma sessão no Metro, no Metrópole, no Cine Arouche ou no Marrocos. Difícil acreditar que o Marrocos, com seu hall de entrada monumental, hoje não passa de um gigante esquecido na Rua Conselheiro Crispiniano e que em 1954 recebeu autoridades e governantes estrangeiros na festa do IV Centenário da cidade.
Quanto tempo ainda vai demorar para virar um bingo?
Quando jovem os shopping centers não eram tão abundantes então ir ao centro constituía um ótimo programa no final de semana. Levar a namorada para dar uma volta na Praça da República, tomar um sorvete e depois pegar um cineminha era uma atividade prazerosa que eu esperava com avidez. Foram incontáveis os filmes que assisti no Centro. "Tubarão", "Guerra nas Estrelas", "Robocop", "Pulp Fiction", "O exterminador do futuro", entre tantos outros.
Duro agora é reconhecer que o que esta sendo exterminado é o futuro de uma das áreas mais queridas da nossa cidade.
O que vem por aí? Quem sabe?
Só sei que aquilo que disse sentir no meu coração quando comecei esta história e que tanto me corrói são tristeza e angústia que me fazem perguntar.
Cadê o centro de São Paulo?