Cadê a Galeria Borba Gato

Apesar de morar perto do centro de Santo Amaro, muitas vezes vou até ele sem prestar muita atenção a minha volta. Comportamento questionável, mas a justificativa esta na ponta da língua. Dia desses fui com uma das filhas a buscar alguns itens da lista de Natal da Seara da Paz – núcleo espírita a que frequento.

O calor com certeza ultrapassando os 38 graus ou pelo menos a tal sensação térmica chegava próximo. Não sei se por conta do calor ou da hora, não havia muita gente na Av. Adolfo Pinheiros, próximo ao Largo Treze. Fora os sons mesclados de carros, motos e ônibus podiam se ouvir também, outro arranjo para aquela orquestra ensurdecedora e que seria de uma britadeira.

Ao nos aproximarmos da Rua Manoel Borba, nos deparamos com uma muvuca na esquina oposta a nossa, mas como já disse o calor era grande e para não perder o hábito tínhamos muitas coisas ainda por fazer naquele "inferno" na terra de meu Deus – Largo Treze de Maio.

Descemos a Rua Manoel Borba dobramos a esquerda, na Rua Des. Bandeira de Melo seguimos em direção ao cemitério, na esquina tornamos a dobrar a esquerda, na Rua Gabriel Nettuzzi Perez já com sacolas cheias de brinquedos, pequenas roupas e calçados, seguimos em direção a Av. Adolfo Pinheiros para o carro, estacionado no Bradesco.

Enquanto aguardava o troco do estacionamento, mostrei mais uma vez onde ficava o "sobradão" de minha avó a Dna Belarmina e o grande quintal que ia até a outra rua, a Cap. Tiago Luz, hoje quase totalmente ocupado pelas Casas Bahia.

Ticket pago, carro na Rua Delmiro Sampaio, dobro a esquerda em direção a já citada avenida e com espanto nos deparamos com o canteiro de obras, a nossa direita, murado com tapumes brancos e marcado com o conhecido símbolo azul da Companhia do Metrô. Dentro dois grandes tratores tratavam de limpar a áreas.

O imenso calor que até então sentia se transformou em falta de ar, por alguns segundos lembrei que ali existiu uma escola de cabeleireiros e que lá pelos anos de 75/76 me propunha ser cobaia de alguma aluna aplicada. E o que dizer da Leiteria da Letícia, essa a memória foi buscar lá pelos anos de 62/63 quando minha tia nos mandava comprar leite pro lanche da tarde.

A memória de minha filha já foi mais recente, buscando a loja de calçados e a de bijuterias. O farol liberou nossa passagem, dobramos a esquerda e ainda buscando o ar, para me refrescar e para me refazer.
Mais a frente outro susto – cadê a Galeria Borba Gato e o Supermercado Futurama, a essa altura minha filha já mostrava outro terreno ladeado pelos mesmos tapumes com emblema do Metrô. Senti naquele momento a perda de parte da minha meninice e juventude.

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