As diversões da gurizada e adolescentes do bairro Vila Carioca eram bem diversificadas.
Aos domingos à tarde, tínhamos várias opções quanto a assistir filmes. Na Rua Silva Bueno existiam três cinemas: Cine Samarone (Marcelino Pão e Vinho), Cine Anchieta (Mazzaropi) e Cine D. Pedro II (O Médico e o Monstro). Cine Art Palácio (Incrível Homem que Encolheu), na Rua Thabor, e o Cine Paroquial (filme sobre a vida de Jesus Cristo).
Na Rua Lício de Miranda com a Rua Vemag, que mudou para Rua Copas, existia o circo "Pavilhão Françoise" (pronunciava Françoá). Em boa parte do bairro existiam muitos terrenos baldios, onde improvisamos pequenos campos de futebol.
Brincadeiras de rua: jogar bolinha de gude; rodar pião; empinar capocheta; empinar pipa (muitos diziam empinar quadrados); balança caixão balança você; mãe-da-rua; jogar picos; soltar balões chinesinhos no mês de junho; estourar bombinhas de pequeno porte. As meninas brincavam de amarelinha; recordo-me de uma frase que elas viviam dizendo: "Homem com homem, mulher com mulher, faca sem ponta, galinha sem pé". Até o presente não sei a que se refere tal frase.
Na Rua Albino de Moraes com a Rua Antonio Frederico, tinha um alagadiço que nós chamávamos de “1, 2”, porque andávamos por cima de uma vegetação no compasso de 1 e 2, repetindo consecutivamente. Embaixo era água, mais ou menos de trinta centímetros a um metro de fundura. A nossa preocupação era que, se aquilo rompesse, poderíamos afundar na lama preta. Como tinha muitas rãs, esquecíamos do evidente perigo e, depois de algum tempo, as pernas estavam cheias de "sangue suga". Não sentíamos dores e puxávamos os tais verminhos com os dedos; metade ficava dentro da perna e o resto saía pra fora. As rãs eram pegas nas locas, ou tocas, ou como queiram interpretar os senhores e senhoras.
Uma das curiosidades era que pegávamos a rã, passávamos os quatro dedos entre o peito e o bichinho apertava-os. Enfim, depois de temperar, era frita numa frigideira, sendo considerada como uma boa mistura, porém era muito raro encontrar a espécie conhecida popularmente por "rã pimenta". Hoje existem muitos ranários, criadores dessa espécie. Os nossos índios já utilizavam os anfíbios em sua alimentação.
Falando de rãs, dois amigos se uniram com objetivo de criar em cativeiro. Não tinham experiência no assunto. Arrendaram um bom terreno – alguns metros distante de um rio –, fizeram um tanque, que foi cercado com alambrado; enfim, gastaram uma boa soma. Esqueceram de observar um pequeno detalhe primordial: nunca pensaram que o rio pudesse encher e levá-las embora definitivamente. E assim foi…
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