Brincando na madrugada

Parece mentira mas é verdade. Não sei se isso ainda ocorre lá na Praça Coronel Fernandes Prestes no bairro do Bom Retiro, entre a antiga Fatec e o Q.G. da Policia Militar, mas quando aquela praça foi reformada pela primeira vez, fechando a rua de mão-dupla que dava acesso entre a Avenida Tiradentes e a rua Três Rios, nos anos 90, alguns garotos e garotas daquele bairro, junto com outros de bairros arredores, passavam o fim de semana todo jogando vôlei, futebol, andando de patins e skate. E muitas vezes varavam a madrugada se divertindo lá. Éramos todos adolescentes que às vezes não resistia à nostalgia de brincar de esconde-esconde naquelas madrugadas. Mas tudo isso graças à segurança que sentíamos em estarmos nos reunindo em frente ao Q.G. da P.M., onde algumas vezes os soldados nos convidavam para tirar um contra de futebol, de dia é claro, dentro das quadras de futebol de salão que havia dentro do quartel.<br>Também tínhamos amizade com garotos e garotas de todas as regiões do Brasil e do mundo: o Jony, descendente de índio que veio de Rondônia, o Tchê, que era alemão migrado do R.S. e namorava uma bonita garota mestiça de coreano e judeu, uma garota libanesa, tínhamos o Marião, que era judeu também e trabalhava como voluntário cuidando de crianças deficientes, o boliviano Yashin, o garoto sul coreano chamado Huwes, vindo dos Estados Unidos… Enfim, tínhamos amizade tanto de "brasileiro oficial" que é uma mistura de português, negro e índio como de "gregos".<br> Como é bom o nosso Brasil, e as amizades que fazemos nas nossas praças, no nosso trabalho e em outros lugares, sem distinção de cor, nacionalidade ou credo. <br> No país onde eu fui trabalhar, o Japão, os delinqüentes com suas motos impõem suas regras nas madrugadas das ruas da cidade. E que bom seria se no Brasil tivessem mais espaços seguros nas noites e madrugadas, como eu passei na minha adolescência naquela pracinha.<br><br>e-mail do autor: [email protected]