A arte de desenhar

Desde pequeno afeiçoei-me aos desenhos. Tínhamos no ginásio aula de Desenho com a professora Ir. Fernanda. Alta, magra, esbelta e de poucas palavras, apenas dizia o suficiente. Então discreta e habilidosa, ensinava-nos o uso dos lápis de cor que cada um de nós portava, uns com caixa de 12 outros com 24 ou 36 cores.
Meus lápis estavam sempre apontados e não os esquecia, bem como os cadernos de desenho. Ir. Fernanda nos ajudava a fazer os sombreados. Cada risco dado no papel implicava o contorno do forte para o mais fraco até desaparecer no branco.
Minhas notas eram sempre boas: 10, 9, porque apreciava a técnica do desenho e me dedicava nos trabalhos escolares. Penso que nossa professora também admirava nossos esforços e o capricho que tínhamos. Nossas aulas transcorriam bem, numa simpatia recíproca. Como as aulas de desenho não eram diárias, uma ou duas por semana, e a disciplina não tanto especializada e sem ser o básico das matérias escolares, o tempo voou. Quase nem mais me lembrava deste tempo até quase esquecê-lo por completo. Foi uma mensagem que recebi com telas do pintor Van Gogh e ilustradas por sentenças e expressões reflexivas que fizeram me lembrar das aulas de desenho, de quase 50 anos atrás. Além das aulas com a citada professora, exercitava na prática de desenhos, sejam eles de que temas fossem, apenas gostava de desenhar.
Um dia, morando em outra cidade, fiz meu primeiro quadro a óleo em casa de minha namorada, que havia estudado na Escola profissional e, motivado por ela, me coloquei a pintar.
A primeira obra não saiu como eu imaginava. Depois de algum tempo refiz a tela com outra aplicação e modelo e saiu então um pouco a contento. Depois disso, me revelei na pintura a óleo sobre tela, e minhas preferências eram os casarios. Fazia os quadros e os doava de presente. Penso que devo ter pintado em torno de 50 quadros, alguns deles estão expostos em paredes de amigos e parentes. Nunca vendi nenhuma tela, não que não quisesse, mas faltou interesse e oportunidade. No entanto, os elogios sempre vinham e motivava-me com eles desafiando cada vez mais a técnica até me tornar um “especialista”, com facilidades na demonstração da arte, mas sem me considerar um artista plástico. Não é o meu chão. Tenho outras habilidades, e meu modo de ganhar a vida e o pão de cada dia era no trabalho relacionado à contabilidade e ao Banco onde fui funcionário de carreira. Hoje sou aposentado. A pintura era e foi um hobby, passatempo. De repente se precisasse poderia me tornar pintor, por que não? Ainda tenho ímpetos de retornar à pintura e exercer a prática dos pincéis e da espátula. Por que não? Em algumas das minhas telas que fiz, apliquei a ferramenta e o resultado foi bom. Espero um dia tentar mais vezes este desafio. Freqüentei por dois meses a escola de Pintura. Queria aprender novas técnicas, mas a professora pouco ensinava. Ela dizia que tínhamos que pintar sempre o mais distante vindo até para o mais próximo. A tela que pintei em seu atelier está exposta em minha casa. Também me ensinou a utilizar as tintas, misturá-las procurando as cores ideais para achar o ponto certo e ela também me auxiliava em alguns toques. Depois de um curto espaço de tempo ela mudou-se para São Paulo e então me afastei do estudo, apenas continuei pintando como um autodidata.
Assim é a arte. A arte musical talvez seja a mais brilhante. Não consigo tocar nenhum instrumento, ainda que tenha tentado muitas vezes. Penso que esse dom Deus não quis me dar. Mas aprecio muitíssimo a música. Não consigo passar por um instrumentista sem deixar de parar ainda que por um instante para olhá-lo e admirá-lo. E sempre que posso compro-lhe o CD para valorizá-lo como artista. Acho que a pessoa que grava o CD merece o preço cobrado.
Sou pisciano, gosto de festas, de gente e de música. Então hoje quis prestar um serviço à arte falando para vocês sobre o desenho. Escrever também me dá muito prazer. Reler talvez esta história amanhã, será um novo prêmio para mim. E se faço aqui esse registro é somente para ressaltar o valor da arte… E a arte de escrever e de contar nossas histórias também tem o seu valor, não é mesmo?

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