Nasci em Monte Azul – São Paulo, em 1938. Meu pai era marceneiro, ele veio para São Paulo primeiro, arrumou um emprego em uma fábrica que fazia caixa de relógios. Os relógios naquele tempo ficavam em caixas de madeiras entalhadas e serviam de decoração na sala de jantar, geralmente em cima de uma peça chamada “tajer”, era um móvel comprido que ficava na sala de jantar onde eram guardadas louças finas.
Depois que ele se instalou como empregado, eu e minha mãe viemos. Ele alugou um quarto e cozinha na Rua Húngara na Vila Ipojuca e ali ficamos até ele comprar um lote de terreno na Rua Cerro Corá. A Rua Cerro Corá era de terra e os irmãos dele falaram que nós íamos morar onde tinha índio.
Ali eu cresci, via as ruas serem abertas, não havia máquinas para esse fim. Elas foram abertas com picaretas e eu gostava de ver o carvoeiro trazer carvão porque ele vinha pretinho pelo carvão e só se via a boca e os olhos.
Minha mãe teve na Cerro Corá fogão a lenha, depois a carvão, depois a querosene e só depois de tudo isso a gás. Tenho muito para contar, mostrar que tudo mudou, mas que eu vivi.
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