Breve nota sobre a Revolução Constitucionalista de 32

Durante muitos anos, ainda era estudante, no dia 9 de julho eu ia até o vale do Anhangabaú para assistir ao desfile militar em comemoração à Revolução Paulista de 32. Era um tempo em que se prezavam os valores cívicos. A presença dos ex-combatentes, o garbo dos soldados, as marchas militares, sobretudo o “Paris Belfort” que foi consagrado como o hino do movimento paulista, emocionavam a multidão que comparecia àquela manifestação de patriotismo. São Paulo parava para homenagear seus heróis e a população sabia quem era Martins, Miragaia, Drausio e Camargo – estudantes assassinados pelas forças fiéis a Getúlio Vargas no comício de 23 de maio de 1932 na Praça da República.

Os paulistanos se identificavam com os versos de Guilherme de Almeida:

"Bandeira da minha terra,
bandeira das treze listas:
são treze lanças de guerra
cercando o chão dos Paulistas!"

Ibrahim Nobre em belo e inflamado discurso "incendiou" São Paulo para a luta e a população se engajava contribuindo na campanha Ouro Para o Bem de São Paulo.

"És paulista?
Ah! Então tu me compreendes!”

Trazes como:

“Eu o luto em tua alma e lágrimas de fel no coração.

Ferve em teu peito a cólera sagrada,
de quem recebe na face a bofetada, o insulto, a vilania, a humilhação.

Minha voz, que entre cóleras se alteia, é tua dor também.
Minha voz é murmúrio, é marulho, é o eco pobre, de sete milhões de angústias indormidas, e sete milhões de ódios despertados, através do pudor de todos nós.

Minha terra, pobre terra"

(Ibrahim Nobre)

César Ladeira famoso locutor, "A voz da revolução", transmitia pelo rádio boletins do front, mantendo a população bem informada sobre os combates.

As escaramuças duraram três meses. Os paulistas caíram de pé.

"Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que é nossa bandeira gravada no chão,
pelo branco do nosso Ideal,
pelo negro do nosso Luto,
pelo vermelho do nosso Coração".

(Guilherme de Almeida)

Dois anos depois Getúlio outorgava a constituição pela qual os paulistas foram à luta.

Hoje, e tomara que eu esteja errado, pouca gente sabe quem foi Pedro de Toledo ou Euclides Figueiredo, chefes militares da revolução. Não existe o mesmo amor às instituições e as rebeliões estudantis se fazem por conta dos aumentos das tarifas de ônibus ou pela proibição para fumar maconha no campus universitário.

O desfile atualmente é realizado no Parque do Ibirapuera onde se encontra o Mausoléu do Soldado Constitucionalista. Desconheço se ainda merece algum interesse e se o Hino “Paris Belfort” ainda desperta, naqueles que o ouvem, a mesma emoção, o mesmo sentimento e o mesmo orgulho de antigamente.

“Non ducor, duco!”

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