Fui morador deste encantador lugar nos 70. Minha família era humilde, vinda do interior.
Quem não se recorda da feira livre aos domingos na Estrada do Sabão? Pois é, neste tempo, a Vila Brasilândia era considerada um lugar de alta periculosidade. Mas, pasmem: Neste período, eu fazia carreto na feira livre acima citada e, como eu não tinha um carrinho de rolimã, gerava custo (lembram disso?) para carregar as compras das mulheres. Eu fazia isto no braço e ganhava uma “graninha”. Não era o único menino nesta época a fazer isto.
Certa vez, aos nove anos de idade, em um domingo após o termino da feira livre, entreguei todo o faturamento nas mãos de minha mãe, o que era um habito normal. Sou o que sou hoje, devido a criação que meus pais me deram. Bem, neste domingo, minha mãe resolveu me presentear com uma ida ao cinema. Alguém se recorda do Cine Brasilândia?
Pessoal, meu sonho era ir a uma sessão de cinema! Lá eu iria encontrar a turma da escola (Escola Estadual de Vila Brasilândia), vizinhos, enfim toda a galera.
Rapidamente almocei, tomei banho e vesti minha roupa de ir a missa, então me dirigi sentido ao cinema. Pouco importava o filme que iria passar… O importante era que eu estava indo pela primeira vez ao cinema.
Pela minha pouca idade, fui orientado pela minha mãe a pagar meia entrada. E foi o que aconteceu: paguei a meia entrada, pois fui bem especifico na bilheteria.
-“Só quero meia entrada…”.
E, diga se de passagem, o dinheiro só dava para meia entrada. Cheguei e vi alguns colegas, mas fiquei espantado com o cinema! Nesta época, nem televisão eu tinha em minha casa.
Eram comuns dois filmes em cada sessão. Assisti o primeiro, com aquela emoção, e no intervalo, enquanto o pessoal batia aquele papo antes do inicio segundo filme, eu sai de fininho, com muita dor no coração… Avisei o porteiro:
-“Moço, estou indo embora….”.
Ele abriu a porteira e eu sai. No meu entender, meia entrada era equivalente a somente um filme…
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