Brás dos Sindicatos

Em 1975, quando eu residia na Av. Rangel Pestana, esquina com a Rua Prof. Batista de Andrade, comecei a trabalhar na Federação dos Trabalhadores das Indústrias de Artefatos de Papel, Papelão e Cortiça do Estado de São Paulo, localizada no prédio vizinho, na outra esquina da Rangel com a PBA, onde se localizava o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Artefatos de Papel, Papelão e Cortiça de São Paulo.

Eu trabalhei nesta entidade de março de 1975 até outubro de 1978, sendo uma verdadeira escola para o aprendizado em leis trabalhistas e em política. Eu nem precisava pegar ônibus, pois pela mesma calçada, era só atravessar a Rua Prof. Batista, no sentido bairro-centro e eu já estava de frente ao local de trabalho.

Ali eu conheci muitos colegas de trabalho legais, como o Paulo Sanches Campoi, que é meu amigo até hoje, além de ser meu padrinho de casamento no Cartório na Mooca, ele se tornou qdvogado e procurador do Estado; o Dr. Paulo Rodrigues, Dr. Lauro Previatti, advogado que se tornou juiz do trabalho e era filho do falecido presidente da Federação, Olavo Previatti e o Sr. José Valente – Presidente do Sindicato.

Eu comecei a trabalhar na confecção das declarações de imposto de renda dos associados e depois passei a fiscalizar as homologações de rescisões de contratos de trabalho dos trabalhadores da categoria do Sindicato em questão.

Eu posso dizer que foi muito bom ter trabalhado lá, por ter conhecido muitas pessoas, não só os funcionários do Sindicato, mas também das empresas que tínhamos contato, vinculadas com a entidade, inclusive viagens para o interior, conhecendo os sindicatos de algumas cidades.

Aproveitei muito o uso, que eu tinha direito, da Colônia de férias na Praia Grande, inclusive eu levava os meus amigos para passarmos finais de semana por lá.

Tínhamos também contatos com os outros sindicatos no bairro, como o de transportes, no mesmo prédio; os gráficos – na Av. Figueira; os vidraceiros – no outro lado da Rangel, próximo da Rua Caetano Pinto; os dos trabalhadores nas indústrias de papel e celulose – na R. Mons. Andrade, vizinho da igreja do Brás e o dos texteis, na Rua Oiapoque, vizinho do Colégio 30 de Outubro, onde eu estudei também.

Quando o clube Ceret – na Vila Formosa – foi inaugurado em 1975, realizamos uma partida de Futebol de Salão, contra os funcionários do Sindicato de Celulose, citado acima e no nosso time jogamos, eu (goleiro), Rudney, Dr. Lauro Previatti (advogado), Dr. Arthur (dentista) e outro funcionário que não me lembro o nome, e vencemos com o placar de 15 a zero, isto mesmo, eu não levei nenhum gol!

Havia um funcionário, o Rociomar, que era cantor de uma banda de rock, cantava muito bem e cheguei a acompanhá-lo com a minha guitarra. Ele gostava muito da banda Yes – rock progressivo – passava o dia cantando, era muito divertido, assim como outros colegas como o Rogério, Carlinhos, João Previatti, Marcello Previatti…

Em maio de 1977, o Paulo Sanches Campoi, que estudava Direito na PUC, me levou para uma passeata contra as prisões políticas, feita pelos estudantes de Direito da USP e da PUC, que se iniciou no Largo São Francisco, seguindo pela Rua S.Bento, Praça do Patriarca e parou no Viaduto do Chá, pois a polícia, comandada pelo então Secretário de Segurança Erasmo Dias, partiu prá cima da gente com cavalos, cachorros, viaturas e bombas de gás lacrimogêneo, nos dispersando do protesto pacífico e ordeiro, que realizávamos.

E em setembro daquele ano, o mesmo Erasmo Dias, invadiu a PUC, para prender e não permitir protestos que seriam realizados no Teatro TUCA, que até o meu amigo Paulo foi revistado, tendo que rasgar e jogar fora antes, a carteirinha de funcionário do Sindicato, para não ser detido.

Portanto, o que eu posso acrescentar é que, são lembranças que ficaram bem guardadas na minha memória, aqueles bons tempos de Sindicato no Brás.

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