Bonde Avenidas

"Está garoando, você está na dureza, não se chateie com a vida, por apenas Cr$0,50 embarque no bonde Avenidas, e espante a tristeza!" Bem que poderia ser texto cartaz daqueles que haviam nos bondes, que com o tempo a gente acabava decorando saltado e pulado. Não só eu, mas garanto que muita gente utilizava o bonde Avenidas como uma forma barata de lazer princípalmente naqueles dias noturnos com a famosa garôa paulistana. O nome ecológico de "camarão" vinha da cor vermelha, mas pelo requinte que ele ostentava, poltronas de palhinha, encostos revestidos com tecidos brancos tudo impecavelmente limpo, bem que poderia ser chamado de limousine. Quem operava o bonde era chamado de Condutor ou Motorneiro, na roleta o cobrador. "Não converse com o Condutor", "Prevenir acidentes é o dever de todos", "Facilite o troco", "Não fume", eram orações que ninguém esquecia. As propagandas fixadas na parte alta das janelas ganharam fama e campeonatos de permanência como a do Rum Creosotado que salvo engano seguia assim: "Veja senhor passageiro que belo tipo faceiro o senhor tem ao seu lado, mas acredite, quase morreu de bronquite,salvou-o o Rum Creosotado". O trajéto da Praça João Mendes,junto à marquise de embarque, até a Praça do Correio, por muito tempo sem as marquises, seguia pela Av. Liberdade, Rua Vergueiro, Rua Paraíso, Praça Osvado Cruz, Av. Paulista, Rua Consolação, Rua Maceió, Av. Angélica, Av. São João, Rua Cap. Salomão, e Praça do Correio. O pedaço mais charmoso adivinhem qual era? Com aqueles palacetes e palácios? Só o do Conde Matarazzo ocupava um quarteirão quadrado, outro ocupava o quarteirão da Augusta com Ala. Santos e Padre João
Manoel, hoje o Conjunto Nacional. Alguns ícones da época que eram referências no trajéto: Centro Professorado Paulista, Clube Alepo, Clube Holms, famosos pelos bailes de formaturas, Trianon, Parque Siqueira Campos.