Rua Joaquina Ramalho, esquina com a Rua João Ventura Batista, bairro de Vila Guilherme, era ali que morávamos, meus pais Laurindo e Iracema e meus irmãos, por enquanto éramos eu Iolanda, Carmelina, José, João e Jacob até que em uma manhã meu pai chamou, eu e meus irmãos, para mostrar o nosso outro irmãozinho. A gente brincava tanto que nem sabia que minha mãe estava esperando neném. Não era igual hoje, que as crianças ficam a par de tudo.
Meu pai todo eufórico e muito brincalhão ao invés de falar na cegonha perguntou se a gente não tinha escutado o barulho do avião de madrugada que veio trazer o nosso irmãozinho Gilberto e cada um falava uma coisa, todo mundo tinha escutado o barulho do avião, porque é lógico que em São Paulo tem muito barulho de avião, mas a inocência era tanta que a gente nem parava para pensar como que o avião ia descer na rua de casa para deixar o nosso irmão… Quanta inocência, que acreditamos e ficávamos só questionando e meu pai todo feliz ria e ainda ajudava a gente a acreditar na história inventada por ele.
Pertinho da nossa casa que já tinha virado uma Avenida, tinha a igreja de São Sebastião e no quintal da igreja tinha um galpão feito de madeira, era ao lado da igreja no mesmo pátio, um dia vimos que o padre deu uma saída e resolvemos por curiosidade entrar naquela casa de madeira, tinha vários bancos e um palco, subimos os degraus e quando já estávamos no palco, que era separado por uma cortina, a curiosidade era tanta que resolvemos ver o que tinha atrás e foi aí que encontramos um baú de madeira.
Nossa ,eu e meus irmãos quase entramos no baú para ver o que tinha, eram roupas bonitas de teatro, tudo alegria, mas de repente quando tiramos tudo do baú a última coisa que tinha era uma cruz de madeira, dai sim a porta de entrada ficou pequena, virou uma gritaria e uma correria que parecia que tinha uma assombração correndo atrás de nós, até hoje minha perna dói de tanto que corri.
Depois disto, atrás desta igreja tinha um lago bem pequeno e eu adorava ir brincar lá, era dois quarteirões atrás da igreja. Um dia coloquei na cabeça que ia criar peixe e assim fiz, cavei um buraco no quintal, fui lá no meu riozinho buscar os filhotinhos de peixe, era assim que eu chamava, sempre comi alguns vivos porque achava que ia aprender a nadar, enchi uma latinha com aquilo que eu achava que era peixinho. E lá fui eu para casa toda feliz, despejei os peixes no buraco que eu tinha cavado e enchi de água. Coloquei uma tampa, deixei passar uns dias, quando abri só via rã pulando para todo os lados, o que eu tinha pegado eram girinos.
Quando o meu irmão Gilberto estava com três meses ainda estávamos morando na Vila Guilherme, eu fazia figuração nas novelas da TV Excelsior canal 9 que ficava na Rua Dona Santa Veloso ao lado da fábrica de Wysky Drury, eles sabiam que eu tinha este irmão bebê e pediram para minha mãe levar ele para gravar algumas cenas na novela. Ele era filho do Capitão Rodrigo Cambará e de Bibiana e o seu nome na novela era Bolivar, foram poucas cenas, mas participou, minha mãe recebeu o cachê pela participação do meu irmãozinho. Mas ele nunca alimentou o sonho de trabalhar na TV como eu, hoje ele é casado, sua esposa é Andrea, tem cinco filhos, sendo duas moças Raiza e Camila e três meninos, Gabriel, Guilherme e o Juninho que recebeu o mesmo nome do pai Gilberto. Meu irmão foi um bom filho, é um bom pai e um excelente marido e tem uma bela família. Hoje mora no Tatuapé.
Estavam filmando uma série que se chamava Um certo Capitão Rodrigo.
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