Minha história começa na treze de maio em frente ao grupo escolar Maria José. Nasci no Bixiga, sou descendente de italianos e me orgulho de fazer parte do povo que ajudou São Paulo a ter sua história.
A subida da população italiana, que se alojou inicialmente onde é o atual terminal Bandeira, os quais iam chegando da Itália e se alojavam em moradias com aspectos europeus, casa com desenhos e arabescos que moldavam um tom de vilazinhas italianas que pela Rua Santo Amaro e Abolição, contornavam a Av. Nove de Julho. Era um rio, na década de 20, que foi canalizado, por isso temos enchentes que hoje inundam a verdadeira vertente da antiga Saracura como era chamado. Esse vale foi o foco de varíola que infestou os italianos que ficaram com "bixigas" na face dai o nome pitoresco da Bela Vista.
Bela Vista veio da Rua dos Ingleses que casais iam namorar de mãos dadas naquela época, claro, para ver a vista mais alta da cidade, equiparando a altura da Av. Paulista.
O surto de varíola se estendeu tanto, atingindo até a região dos moradores da área que hoje é a Paulista que foi motivo de estudos do cientista Osvaldo Cruz que, com a ajuda de Adolfo Lutz, formou o quadrilátero da Saúde na Dr. Arnaldo complexo de erradicação, isolamento e vacinação em São Paulo.
Os italianos sempre foram de lutas e nunca esmoreceram, fugidos de guerra e com muitos sentimentos aflorados vieram para trabalhar. Nunca vi um povo europeu negar sua força e forma-se a classe operária e artesãos que caracteriza o Bixiga, além da culinária: As cantinas das nonas, macarrão caseiro, berinjelas, sardellas, etc. A sapataria Escatamáquia na Major Diogo que meu avô trabalhava, a Tróika, a Capardo. A Gessy Lever e muitas outras oportunidades de trabalho no bairro.
Até hoje tem casas tombadas pelo patrimônio como as das Ruas Conselheiro Carrão, Treze, Ramalho, no miolo antigo onde tem a Igreja Achiropita.
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