Bienal do Livro

Distante há alguns anos, sempre que posso revisito a minha querida São Paulo, cidade de minha adolescência e mocidade. Desta vez, o que me levou à capital paulista foi a Bienal do Livro, evento importante no calendário cultural da cidade, realizado em agosto.

Sempre que "escolto" minha mulher aos shoppings, a primeira providência que tomo é descobrir a livraria. Lá permaneço o tempo necessário para não incomodá-la com meus palpites e com meu açodamento. É um velho hábito que preservo desde a mocidade, quando frequentava as livrarias do centro de São Paulo. O dinheiro era curto e eu me satisfazia em folhear as obras dos grandes escritores.

Depois da viagem, um rápido descanso no hotel e partimos para o Anhembi – eu, Paulo César, Neuci, Osvaldo e Bruno. Impressionante. Aquele imenso espaço (70.000 metros quadrados) ocupado por centenas de livrarias, editoras, espaços culturais e gente, muita gente.

Raro ver-se alguma pessoa que não estivesse carregando, orgulhosamente, sua sacola com os "tesouros" que ali adquirira. Bastante gratificante foi perceber a presença de jovens interessados e curiosos com as obras ali expostas.

A Bienal, antes de chegar ao Anhembi, passou pela Praça da República, Pelo Expo Center Norte e outros locais, mas a popularização do evento e a necessidade de espaços cada vez maiores levaram-na para o Anhembi, onde se realiza desde 2006.

Essa é a resposta aos "idiotas da objetividade", como diria Nelson Rodrigues, que vivem apregoando o fim do livro impresso, que estaria com “seus dias contados”. Balela! Disparate! A Bienal mostrou que o livro está mais vivo que nunca.

“Oh! Bendito o que semeia
Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!“
(Castro Alves)

E-mail: [email protected]