Dando continuidade sobre o Bairro do Bexiga, vou relatar as festividades no bairro…<br><br>Quermesse da Igreja Achiropitta:<br>Lembramos que na nossa época, existiam quatro ou cinco barracas, e a extensão era da Rua Cons. Carrão até a esquina da Rua São Vicente. Nos fins de semana era cheia de gente, principalmente das pessoas que moravam fora do bairro. Tinham vários carrinhos que vendiam guloseimas, pipocas, algodão-doce, espigas de milhos, quebra-queijo e bexigas de gás, cata-ventos, etc. <br>Mas a principal vendedora era a Dna. Iracema, negra, gorda, mãe do Rômulo, que vendia um famoso quentão, aquecido numa lata cheia de brasas de carvão, aonde era colocado dentro de um bule de ferro e servido em xícaras de louças pequenas; tinha também vinho quente, mas a delícia mesmo era o cuscuz, feito pela própria. Depois tinha uma cocada muito saborosa também.<br><br>Diversões, áreas de lazer, atividades da molecada:<br>No morro dos Ingleses, existe um largo, bem em frente ao Hospital Menino Jesus, que era o local aonde empinávamos nossos quadrados (pipas), porque existiam poucos fios de alta tensão. Reuniam-se quase 20 garotos; quando um laçava do outro, saia até pau. Usávamos carretilhas feitas por nós mesmos, que era mais rápido para recolher a linha… Empinávamos vários tipos: barrilete, barraca, peixinho, capucheta… E a linha que usávamos era a de número 24, que era mais forte; isto quando não passávamos cortantes.<br>Fazíamos também, para usar-mos e vendermos, carrinhos de rolimã. Íamos ao final do expediente da feira que existe até hoje na Rua Maria José, pegar caixotes vazios para usar a madeira e também nas oficinas mecânicas para conseguir rolimãs usados. Nós sempre conseguíamos dinheiro para ir às matinês do Cine Rex aos domingos à tarde… E além dos carrinhos, fazíamos balões médios: almofada, mexerica, careca de padre, pião e também vendíamos, assim como vendíamos alguns quadrados (pipas).<br>Lembro que andávamos nos carrinhos de rolimã na Rua dos Ingleses, descíamos no pau! Às vezes, íamos parar quase na Rua Santo Antonio. E não tinha muito perigo, porque não existiam muitos carros; os únicos obstáculos eram os tombos e as encapotadas que tomávamos por causa de nossos freios, que eram nossos pés.<br>Andávamos descalços. Só tínhamos sapatos para ir à escola. Assim, quando saímos, nossas mães mandavam tirá-los. A maioria era pobre e só possuía um par de sapatos.<br>Quando aconteciam estes acidentes, ficávamos todos ralados e machucados nas pernas, cotovelos, cabeça, braços, etc. Mas o duro era voltar para casa deste jeito… Nossas mães davam uma surra e nos colocavam de castigo.<br><br>Escolas:<br>Quase toda a molecada estudava do Grupo Escolar Maria José, na Rua Manuel Dutra x Rua 13 de Maio. Fazíamos o primário (hoje chamado de primeiro grau). O diretor da escola era o Sr. Décio.<br>Lá tinham vários serventes, mas a mais boazinha era a Dna. Ignês, uma senhora negra muito educada e atenciosa com os alunos (as).<br>Na Rua Major Diogo, esquina com a Rua São Domingos, existia a outra escola chamada de Julio Ribeiro. Por sinal, é o lugar aonde votamos até hoje quando ocorrem as eleições.<br>E também havia a escola paga Inst. Ensino João Passalaqua. Na saída das aulas, só se viam carros estacionados em frente a essa escola para virem buscar os alunos. Isso sem contar aqueles que tinham motoristas particulares.<br><br>Parque Infantil Ângelo Martino<br>Rua Humaitá. Para os menores 12 anos, era no período vespertino e para os maiores de 12 anos, funcionava das 19h às 22h.<br>Lá, nossa maior diversão era jogo de futebol. Na época, o campo era iluminado, algo raríssimo. Jogávamos só de calção, sem camisa e descalços, podia estar calor, frio, chovendo.<br>Tinha uma molecada boa de bola: Loschiavo, Boquita, Dois e Quinhentos, Lula, Sidney, James (Baiano), etc.<br>Depois que acabava o jogo, todos tinham que tomar banho frio supervisionados pelos professores de educação física. Após isso, íamos tomar lanche no pátio, aonde eram servidos litros de leite com sanduíches de mortadelas, queijos, cachorro-quente… E depois íamos embora para as nossas casas…<br>O diretor desta época era o Sr. Olavo. E tinham as meninas algumas meninas que lá freqüentavam: Meyre, Celina, Bardhal, Zezé, Dirce e outras mais.<br><br>Vida noturna<br>O Bexiga sempre foi considerado um bairro boêmio. Nos fins de semana, o pessoal ia para o centro da cidade ou ficava no bairro, na Avenida 9 de Julho, esquina da Rua Avanhandava…<br>Lá, embaixo de um prédio, funcionava um bar que abria somente às 22h e ficava aberto até o último freguês, normalmente quando clareava o dia, lá pelas 6h da manhã. Chamava-se Bar Cigarra.<br>Havia no bar uma vitrola em que colocávamos uma ficha e escutava-se a música de sua preferência. Lá pelas meia-noite,.já estava totalmente lotado, não tinham mais mesas e os frequentadores quase eram os mesmos: Didi (trabalhava na Niasi e foi um daqueles que lançaram o perfume argentino Lancaster em São Paulo, que depois virou uma epidemia, pois todos passaram a usar), sempre acompanhado por diversas mulheres como a Neusa loira, Bardhal, Zezé, Dirce, Celina, etc.; e os homens eram Rogério (já falecido), Rubião, Pinguinha, Garrinchinha, Lourencinho, Fraquito, René, Feitiço Bolachada, Cabana, Keiko, etc.<br>E quem gostava de dançar ia aos bailes do Avenida Danças, na Avenida Frio Branco, e no Chuá, na Rua Aurora. Ou no Atlântico da Avenida Ipiranga; Lilás Danças…<br>E tinha também locais reservados pra quem gostava de jogar bilhar: Maravilhoso na Avenida Ipiranga, quase esquina com a Avenida S. João; Santa Tereza, na Praça João Mendes, em cima da padaria de mesmo nome; e o São Lourenço, na Rua Major Diogo. Jogava-se valendo a hora e a dinheiro.<br><br>Carnaval<br>Quando não íamos aos bailes do Palmeiras, seguíamos aos bailes do Haracan Clube, no Aeroporto de Congonhas.<br>O Procópio, irmão do Pinguinha, era o porteiro. Compravam-se cinco ingressos e entravam 10 sem pagar. Todas as noites eram lotadas.<br>Tinham mais mulheres do que homens… Quem frequentava mais era o pessoal formado por: Luzitana, o falecido Esquerda, Cabeção, Pedro Pórrio, Cícero, Sansone, Luiz da farmácia, etc.<br>Na última noite, terça-feira, antes de acabar o baile, a mulherada tirava a roupa e ficavam nuas! Vinham muitas mulheres da zona de lá do centro da cidade, era uma verdadeira festa!<br><br>E-mail: [email protected]