Vila Nova Conceição, ah… Este bairro de São Paulo agora tão aristocrático, a selva de pedra onde o preço do metro quadrado de qualquer imóvel é simplesmente estratosférico, um bem, aliás, exclusivo só para os bilionários da vida. Nasci aqui nos idos de 1929, onde os pioneiros que por aqui "aportaram" eram pessoas simples, a maioria sem qualquer profissão definida na época, composta de cidadãos portugueses, espanhóis e italianos.
As famílias eram numerosas, porém proprietárias de seu "pedaço" de terra. Apresentavam-se modestamente vestidos e com pouca cultura. Remendados sim, porém muito limpos, educados, ardorosamente trabalhadores e, o mais importante, com religiosidade definida. O sentido comunitário da prestatividade era o ponto de honra de qualquer família no bairro.
Meus pais, já falecidos, chegaram no "pedaço" por volta dos idos de 1924/1926. Morei aqui até 1960 de onde saí por motivo de matrimonio. Era meu endereço a Rua Domingos Leme, 284 (antigamente Rua K n°68). Por ironia do destino, o local do meu nascimento, entre as ruas João Lourenço e Bueno Brandão, veio à "abrigar", mais tarde, a badalada Boutique Daslú no início de sua trajetória.
Tenho grandes recordações do bairro e de sua gente da época. Famílias de intenso e agradável convívio, amigos particulares, vizinhos prestativos, companheiros de tantas jornadas, em especial, no mundo do futebol varzeano. Histórias, fatos significativos tristes e alegres, acontecimentos quiçá históricos até, que, se pacientemente ordenados darão assunto para vários compêndios.
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